quinta-feira, 21 de junho de 2007

Pecado tem Tamanho?

Oi Fabio, somos nós, Ana e Paulo e gostaríamos de sua opinião sobre os seguintes assuntos:

1º Existe tamanhos ou gradação para os pecados? Ou seja, pecadinho ou pecadão? Temos nossa opinião, mas gostaríamos de saber a sua.
2º (...)

Gostamos de sua iniciativa de se posicionar em debates on-line, por isto, resolvemos questioná-lo sobre estes temas.

Um abraço

Paulo e Ana

Paulo e Ana: obrigado por enviarem tal questionamento, apesar de saber que vocês o fizeram, principalmente, para fomentar o debate aqui no site. Como eu, vocês também crêem na importância do desenvolvimento das idéias para a maturidade pessoal, inclusive espiritual. Sendo assim, vou expor o meu entendimento.

Quando nos referimos a pecado, a primeira idéia que surge em nossa mente é a de uma prática específica que é contrária aos princípios de Deus. Este entendimento não chega a ser errado, porém evidencia um aspecto incompleto do assunto.

Biblicamente, o sentido claro do termo significa aquilo que é contrário a Deus, o que o desagrada. Na língua latina, tem o sentido simples de falta, crime, delito. Teologicamente, convencionou-se o entendimento de que pecado é errar o alvo de Deus.

Mas qual seria esse alvo? Fica evidente que, contendo a Bíblia a revelação divina, traz, ela, em suas linhas, o objetivo de Deus para o ser humano e seu plano para a existência deste. Toda a Bíblia aponta para Jesus Cristo, o qual, em sua passagem terrena, teve como objetivo morrer pela humanidade para, como expiação pelo pecado do ser humano, purificá-lo, concedendo-o a salvação.

Podemos responder a pergunta então: o alvo de Deus é a salvação humana. No entanto, se parássemos nosso raciocínio aqui, concluiríamos que errar o alvo (pecar) é errar a salvação, não alcançá-la. Esta conclusão é corretíssima e nela devemos nos ater.

No entanto, precisamos responder a pergunta: o que nos impede a salvação que pode ser chamado de pecado? Deus, sendo um ser eterno, tem seus atributos também eternos. Ainda que eles se harmonizem, não podemos admitir qualquer diminuição qualitativa nas características de Deus. Dessa forma, para que haja comunhão plena com esse mesmo Deus, é necessário que o ser que deseja comungar com Ele esteja completamente purificado. A santidade infinita de Deus não aceita envolver-se com a finitude corrompida humana, por razões, inclusive, lógicas. Então, para podermos usufruir plenamente dessa comunhão, diferente da comunhão parcial que temos hoje, é necessário que não haja sequer uma gota de corrupção em nosso ser. Sabendo que isto é impossível para o homem, apenas uma declaração formal de Deus (justificação) pode torná-lo puro (ainda que seja uma pureza por declaração, afinal, ele continua a pecar). Pecado, portanto, é tudo o que caracterize essa falta de pureza, de santidade. Uma gota de impureza é impureza e já impede o ser humano de comungar plenamente com Deus. Ora, o mais ínfimo pecado, ainda que cause uma gotícula de nódoa na alma humana, já a impede de estar com Deus. A santidade eterna não pode receber algo que, como ela, também não seja eterna. Um mínimo pecado é pecado e impede o homem de viver eternamente com o Senhor.

Se analisarmos, então, pelo termo: pecado, não há como tentarmos montar qualquer tipo de graduação. Pecado está intimamente ligado com salvação, com Deus, com santidade. Dessa forma, qualquer pecado, seja de que tipo for, terá o mesmo resultado: a impossibilidade da salvação do homem.

Se quisermos atribuir alguma diferenciação entre estes atos que caracterizamos como pecado, devemos nos afastar do termo e tratarmos eles como faltas, erros, delitos etc. Nesse sentido, sim, é possível ver diferenças intrínsecas e extrínsecas entre eles. Seria estúpido, da parte de qualquer pessoa, considerar todas as faltas iguais entre si. É evidente que existem erros que possuem conseqüências maiores e mais sérias do que outros. Até mesmo a Bíblia indica que existem atitudes que Deus reprova com mais rigor (Provérbios 6.16-19; Mateus 12.31).

Fica claro, portanto, que, se nos referirmos a pecado, não há como escapar da idéia de salvação, que é o alvo estabelecido por Deus para o ser humano. Para fazermos alguma análise dos atos que desagradam a Deus, em suas conseqüências mais diretas e transitórias, precisamos abandonar o termo pecado e nos referirmos a eles como faltas, vícios, erros, delitos etc.

Então, posso responder que não, não existe diferença valorativa entre os pecados, mas, sim, existe entre os atos faltosos, delituais e errôneos.

terça-feira, 12 de junho de 2007

Porque Defendo a Liberdade de Expressão

Lembro de uma vez, no setor no qual eu trabalhava, no Porto de Santos, havia um colega de trabalho que era de uma igreja evangélica. Conversávamos, eu, ele e mais dois colegas cristãos sobre um artista conhecido que dizia que sacrificava animais em oferenda para demônios, por conta de seus trabalhos musicais. Este colega, diante disso, disse a seguinte pérola: ‘Isso é culpa da nossa Constituição, que permite essa liberdade religiosa. Isso deveria ser proibido!’. No mesmo instante, arregalei os olhos, estupefato com a frase e lembro apenas de ter dito isto: ‘Se não houvesse essa liberdade religiosa, você estaria rezando para Nossa Senhora da Aparecida’.

Muitas pessoas não percebem que toda liberdade tem um preço. Para que uma pessoa possa gozar de alguma liberdade, deve haver um correspondente equivalente às outras pessoas, o que cria uma diversidade de pensamentos e idéias e atos. A liberdade carrega consigo também a responsabilidade, pois o julgamento e a condenação apenas são possíveis em relação a quem possui a condição de escolher livremente. Sem essa condição, não é possível determinar valor para o ato, impossibilitando o julgamento.

Com a possibilidade de escolha, o ser racional tem a possibilidade de se posicionar da maneira como bem entender. Inclusive, podendo negar o bem, agir contrário à moral, dizer o que pensa, ainda que seu pensamento seja reprovável segundo os valores estabelecidos.

Pela liberdade, os homens têm escolhido se afastar de Deus, viver como nos tempos de Sodoma e Gomorra, sendo “amantes de si mesmos, avarentos, presunçosos, soberbos, blasfemos, desobedientes a pais e mães, ingratos, profanos, sem afeto natural, irreconciliáveis, caluniadores, incontinentes, cruéis, sem amor para com os bons, traidores, obstinados, orgulhosos, mais amigos dos deleites do que amigos de Deus...” (2Tm 3.2-4).

Por isso, seremos contra a liberdade? Absolutamente não!

Em primeiro lugar, ainda que desejássemos o seu fim, isso não seria possível. A liberdade é inerente ao ser racional. Orígenes, pensador cristão do século IV, já intuía isso: “... os que afirmam ser o homem incapaz de agir por decisão própria, negam-lhe a natureza racional, equiparando-o ao animal. Onde há uma razão, ali também há liberdade. Pois pensar racionalmente significa julgar” (extraído do livro História da Filosofia Cristã, de Philotheus Boehner). A racionalidade está intimamente ligada à liberdade. Não é possível a existência de uma sem a outra. Se é possível raciocinar, isso pressupõe a liberdade para o fluxo do pensamento; se é possível a liberdade, é porque há a condição de julgar, raciocinar.

E, ainda que não houvesse essa premissa lógica da racionalidade com a liberdade, o verdadeiro cristão deve entender que a liberdade é um pressuposto inerente à proporia fé cristã. Deve-se considerar que Deus criou o homem livre, seja por vontade própria, seja por um impulso lógico, segundo o que foi dito acima. De qualquer forma, essa liberdade é indiscutível e, só por isso, ser contrário a sua existência, de qualquer forma, é pensar diferente de Deus. Se a liberdade inicia no próprio Deus, seguir um caminho diverso é negar um princípio divino, ou seja, negar o próprio Deus.

Além disso, devemos atentar para a ordem dada por Jesus a seus discípulos: “Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura” (Mc 16.15). Como compreender o cumprimento deste comissionamento, sem o mínimo de liberdade? É verdade que o mundo ainda vivia longe do entendimento da possibilidade da expressão individual totalmente livre do pensamento. E se analisarmos, sem muito esforço, percebemos que isso apenas criava embaraços à pregação. Sendo assim, concluímos que a falta de liberdade é contrária à própria pregação do Evangelho. E mesmo que argumentem que tal tolhimento ajudou o fortalecimento da fé, essa ajuda não foi direta, mas conseqüência oblíqua dos fatos, não podendo, com isso, ser argumento em defesa da falta de liberdade. A perseguição aos cristãos, no início da era cristã, fortaleceu muito a fé daqueles homens, mas quem poderá dizer que tal perseguição era justa e devida? A ausência de liberdade, por muitas vezes, pode fortalecer a fé de comunidades, mas jamais será um pressuposto moral para o crescimento destas mesmas comunidades.

Pregar é falar para outros sobre algo. Falar indica liberdade de pensar e de se expressar. Falar para outros pressupõe essa possibilidade. A liberdade, quanto mais ampla, mais facilitadora dessa pregação. Se é facilitadora, então, é favorável à pregação e, por isso, deve ser defendida.

Portanto, o cristão, por todas as razões citadas acima, deve ser um defensor da liberdade de expressão, da maneira mais ampla possível. Liberdade que tem seu preço. Liberdade que nos depara com muitas coisas que chegam a corroer nosso ser intimamente. Que nos faz enxergar a corrupção humana, em seu nível mais profundo. Que desperta em nós a revolta por causa da depravação e imoralidade. Que nos faz, muitas vezes, querer inclusive a sua extinção, fazendo-nos crer que isso solverá todas as mazelas humanas. Mas quem poderá obstruir o pensamento? E o homem mal, cerceado em seus atos e palavras, deixará de ser mal?

Sou cristão, luto pela liberdade. Liberdade de pensamento e expressão, ampla e irrestrita (limitada apenas naquilo que constituiria crime, ou apologia a este). Não confundo a maldade humana com sua liberdade. O homem não é corrupto por causa da liberdade. Esta apenas permite que saibamos disso.

Fabio Blanco

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Fé pela Fé: passos sem direção

A fé é o caminho. Por ela é possível acreditar em algo sem descartar hipóteses divergentes, pois a busca do sábio é a verdade. A fé não é um refúgio para os ignóbeis, mas é a trilha em busca do destino real. Ter fé é querer a verdade e acreditar que ela existe no objeto da crença. Essa fé é adquirida por diversos meios, como conseqüência de experiências diversas. Mas ela não é um fim em si mesma. É a metade do caminho. O destino é a verdade, o real.

quarta-feira, 23 de maio de 2007

O Cristão e o Velho Testamento

Voltando à questão da homossexualidade acho que nunca chegaremos a um consenso, porque você crê na Bíblia e eu creio na Ciência e vejo a Bíblia como um documento bastante intolerante! (ps. isto não é uma ofensa). Causa-me estranheza também o fato de vários pecados, escritos na Bíblia, tanto no Antigo como no Novo testamento, hoje já não são considerados pecados e a homossexualidade, ainda, permanece como pecado. Este texto, abaixo, é muito interessante e fala sobre isto!
http://www.estudos-biblicos.com/fundamen.html
Até hoje nenhum teólogo, ou pastor ou padre, etc., conseguiu me dar uma explicação convincente!

Johnie Brito



Amigo Johnie, tomei a liberdade de postar parte de seu comentário ao artigo ‘Da República das Bananas à Ditadura Homossexual’, por entender a matéria de interesse de meus leitores. Obrigado por postar aqui e deixe-me tentar lhe expor o meu entendimento sobre o assunto.

É verdade que a Bíblia é intolerante. Mas você precisa entender que ela se declara a verdade e a verdade é intolerante. A verdade não aceita contestação pois a contestação da verdade é a não-verdade, portanto, a não-existência. Se a Bíblia lhe parece intolerante é por uma questão de lógica e não de presunção.

Em relação aos pecados do Antigo Testamento, descritos no link que você postou, é necessário entender o plano de salvação de Deus. Resumidamente é assim: Deus criou o ser humano e este se rebelou em desobediência. Sendo Deus eternamente santo, e não podendo comungar com o que não é puro (impossibilidade natural), precisou criar uma fórmula que justificasse o ser humano, possibilitando o seu relacionamento com Ele. Mas, para isso, um preço precisava ser pago. Como todo pagamento deve ser feito com algo da mesma espécie da dívida, era necessário que um ser humano (ou até mesmo alguns) assumisse a impureza (pecado) dos outros seres humanos. Porém, nunca houve e nunca haverá ser humano puro o suficiente para isso. Portanto, por amor, Deus envia seu filho (que é Deus em essência), para humilhar-se, tomando forma limitada de homem e assumindo, inclusive, a natureza humana, para que ele cumprisse tal dolorosa missão. Jesus vem para morrer pela humanidade e, dessa forma, possibilitar a salvação para todos os homens. Ele é morto, mas como a morte apenas tem força contra o pecado (sentido lato), ela não pode deter aquele que não tinha pecado. O que Deus oferece, a partir daí, é a possibilidade de, apenas crendo e aceitando esse sacrifício como eficaz na minha vida, eu seja justificado (formalmente declarado puro) e possa comungar com Ele.

Este é o plano de salvação. Mas, para entende-lo, é necessário todo um período de preparação e ensinamento que permita que o ato de Jesus seja cognoscível pela humanidade. Aí entra o Velho Testamento. Ele é esse ensino. Se ele é duro, intolerante, sangrento, talvez o seja na ótica do homem moderno. Mas para o indivíduo de seu tempo, ele refletia a realidade de todos os povos. E por essa realidade que Deus ensina o que estava sendo preparado para a salvação do mundo.

A Bíblia ensina assim, em Gálatas 3: 21-25:

“...a lei é contra as promessas de Deus? De nenhuma sorte; porque, se fosse dada uma lei que pudesse vivificar, a justiça, na verdade, teria sido pela lei. Mas a Escritura encerrou tudo debaixo do pecado, para que a promessa pela fé em Jesus Cristo fosse dada aos crentes. Mas, antes que a fé viesse, estávamos guardados debaixo da lei, e encerrados para aquela fé que se havia de manifestar. De maneira que a lei nos serviu de aio, para nos conduzir a Cristo, para que pela fé fôssemos justificados. Mas, depois que veio a fé, já não estamos debaixo de aio”.

O que diz este texto? Que a lei (Velho Testamento) foi o nosso tutor (aio), aquele que ensina a criança até ela encontrar a maturidade. Chegando esta, o homem, não sendo mais criança, não precisa mais dele e pode seguir seu caminho. A humanidade não precisa mais da lei do Velho Testamento, pois ela se encerrou em Jesus. Ainda é um guia de princípios, de compreensão de Deus, mas não possui qualquer força normativa. Vivemos sob a graça de Cristo e nele está o entendimento da verdade. O que fazemos não deve mais ser guiado pela formalidade vazia, mas pela intenção direcionada à vontade de Deus (adoração).

Voltando a colocação da Sra. Laura Schlessinger, foi ela absolutamente infeliz ao querer justificar a pecaminosidade da homossexualidade exclusivamente em um texto do Velho Testamento. Isso é precário. Apesar de ali a Lei expressar que o ato é abominação, diferente de outras regras que não possuem qualquer adjetivação, há textos no Novo Testamento que dizem do descontentamento de Deus com tal prática (Romanos 1.26-27; 1Coríntios 6.9).

Resumindo: o Velho Testamento é apenas um preparativo, um educador, para compreendermos o sacrifício de Jesus por nós. Sem o Velho Testamento, o ato de Jesus seria incompreensível e é por isso que a Bíblia diz que Cristo veio ao mundo na ‘plenitude dos tempos’ (Gálatas 4.4).

Caro Johnie, é provável que eu não tenha lhe convencido, afinal todo o narrado só é possível apreender pela fé. Estou certo, ao menos, que dei-lhe uma explicação lógica, baseada na minha fé, sobre essa questão levantada.

Um grande abraço.

Fabio Blanco

sexta-feira, 18 de maio de 2007

Da República das Bananas à Ditadura Homossexual

Nunca foi costume meu escrever sobre homossexualismo. Sempre mantive esse tema à parte de minhas divagações. Tratei sempre o homossexualismo como pecado (conforme minha fé cristã), porém, jamais o coloquei numa posição mais importante em relação aos outros pecados. Aliás, sempre tive o homossexualismo como um pecado menor até, pois é algo que feriria, em princípio, apenas os optantes. Diferente de erros maiores, os quais costumam prejudicar terceiros, o homossexual cometeria um pecado que desagrada a Deus somente, por isso, apesar de ser um erro, seria apenas mais um erro. Esta forma de pensar talvez venha de minha formação, um tanto liberal, mesmo sendo criado na igreja batista. Claro, não uma liberalidade de costumes, e nem de fundamentos (creio na Bíblia como a palavra de Deus), mas de idéias. Como comecei a ler livros mais profundos muito cedo (com 15 anos aproximadamente), aprendi a compreender que mesmo às questões que parecem mais pacificadas os homens podem dar interpretações diferentes, e até mesmo convincentes. Assim, nunca me apeguei demais às tradições e aos costumes, sendo, inclusive, um crítico contumaz de muitos deles. Me acostumei, também, a ter idéias muito pessoais sobre diversos assuntos, sem me preocupar se tais pensamentos vão ao encontro do pensamento dominante. Mas aprendi a não ser teimoso também. Posso mudar de idéia facilmente, bastando encontrar um argumento melhor do que aquele que carrego. Não há nada pior do que alguém que diz que pensa, mas age como uma mula.

Quando assisti ao vídeo da entrevista do Marcelo Crivella ao Jô Soares, o que mais me chamou a atenção não foi o tema homossexualismo, mas as incoerências dos argumentos, os quais, no meu entender, estavam sendo uma agressão ao bom senso e à inteligência alheia. Tanto é verdade que eu estava preparando um vídeo contendo a primeira parte da entrevista, na qual as partes debatiam sobre um projeto de adição à Lei Rouanet, de incentivo à cultura. Nesta parte já havia muitos absurdos e incoerências. Porém, quando gravei a parte do assunto homossexualismo, entendi que já havia ali material suficiente para demonstrar a quantas anda o pensamento nacional. Acontece que subestimei a ignorância (‘Nunca subestime a ignorância, ela sempre poderá surpreende-lo’) dos interlocutores. Já me surpreendeu a reação da platéia no próprio programa do Jô, rindo e aplaudindo de todos os absurdos que este externava. E, vejam bem, não estou me referindo às interpretações bíblicas, questões pessoais de fé ou opiniões, estou falando de lógica e bom senso. Me chamou a atenção as pessoas não perceberem a falta de conteúdo e razão daquela entrevista e ainda apoiarem o entrevistador. Mais espantado ainda fiquei ao procurar comentários sobre o programa. Com algumas honrosas exceções, a grande maioria dizia que o Jô deu uma aula no senador Crivella. Por fim, também me pasmou o fato de a Globo disponibilizar esse vídeo em seu site (de onde tirei as imagens). Isso apenas demonstra que nem lá perceberam a entrevista desconexa que foi aquela. Mas, o que mais me fez pensar, foi a reação dos próprios internautas que assistiram ao vídeo no Youtube. Uma boa parte deles, dizendo-se ou dando a entender que são homossexuais, enviaram para mim mensagens raivosas, inconformados com o meu trabalho. Defendendo a proibição da livre expressão, me xingaram, condenaram, e desejaram até minha morte. Defendendo a tolerância, destilaram todo o ódio ao cristianismo e desejaram que todas as igrejas fossem fechadas. Defendendo o fim do preconceito, expuseram todo seu pensamento pré-concebido em relação aos cristãos, demonstrando a total falta de conhecimento do que somos e o que pensamos. Agiram como Calígula defendendo a moralidade, como Hitler proclamando o amor, como Bush conclamando à paz.
O que eles não percebem é que estão dando um tiro no próprio pé. Acredito que 99% desses internautas sequer passaram o olho no projeto de lei. Não sabem do que exatamente se trata e que a religião está sendo protegida também. E, por ela, esse tipo de agressão aos cristãos se tornaria intolerável. Então porque não defendo a lei, já que ela protegeria minha fé? Porque os males seriam maiores do que as críticas que a religião ou a opção sexual podem receber. Com a lei, subjetiva como ela está, tudo poderia ser motivo de ingresso de ação cível ou criminal. Teríamos o risco de começarmos a viver um puritanismo às avessas. Talvez nem piadas poderiam ser mais contadas em público (Jô, cuidado, você também pode ser uma vítima dessa lei!). Acham que eu estou exagerando? Então aguardem a análise que estou preparando e vocês vão ver do que se trata. Sairíamos da República das Bananas e entraríamos na Ditadura Homossexual. Talvez o slogan do governo passe a ser: ‘Aceite-o, ou deixe-o’. Dizem que um povo defende melhor seus valores mais apreciados, e nós sabemos qual parte do corpo o brasileiro mais aprecia.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

O Meu Céu

Ah! Como eu imagino o céu?

Acordando cedinho, com só um pouquinho de sono, depois de uma noite fria, mas agradável, sentindo o cheiro do café feito por alguém que não é minha esposa (afinal, não nos daremos em casamento), abrindo a janela, sentindo o exalar do orvalho e vendo a leve névoa passar.

Tomo um café da manhã gostoso, e sento à porta de casa, contemplando, por um tempo, a felicidade daqueles que ao meu redor vivem.

Aí, Jesus chama a gente, nos põe a sentar à sua volta, e começa a falar palavras sábias e belas, que nos ensinam, a cada dia, um pouco mais sobre a existência. Por vezes, ele apenas expressa palavras ritmadas, numa poesia que nos eleva e afaga.

Enlevado, com tanta sabedoria, me retiro ao leito de um rio cristalino, a meditar sobre cada palavra, cada frase, cada colocação feita pelo Mestre.

Completamente satisfeito com tudo aquilo, me ponho então a caminhar, conhecendo novos lugares, visitando amigos mais distantes e apreciando este mundo maravilhoso.

O restante do dia, em meditações e boas conversas, passo com meus amigos, que são tantos, quase infinitos, dos quais, grande parte, eu nem conheço. Todavia, toda vez que encontro alguém desconhecido, é como se encontrasse um familiar querido e há muito distante.

Final de tarde, iluminados por uma estrela muito mais linda que o formoso sol, nos concentramos, todos nós, numa praça lindíssima, onde passamos algum tempo cantando músicas jamais ouvidas aqui na Terra, com melodias tão agradáveis, que se fossem tocadas aqui, não sairiam das paradas jamais.

À noite, na verdade apenas uma mudança de iluminação, para que nossos olhos descansem, sentamos em grupos ao redor de fogueiras, tentando compartilhar a compreensão de cada um sobre as palavras de Jesus.

Talvez esse céu seja humano demais, mas, no que pode minha mente alcançar, é o melhor dos mundos.

Se for diferente, é certo que será ainda melhor.

Fabio Blanco.

segunda-feira, 12 de março de 2007

Convicção

Faça o que é certo, mesmo quando lhe criticam; assim, não terá do que se desculpar

sábado, 6 de janeiro de 2007

Dúvidas

“Não me envergonho de minhas dúvidas. Apenas quem não suporta a incerteza a ignora e a tem como fraqueza. Quem está certo de tudo não amadurece, não sonha, não descobre”.