sábado, 10 de abril de 2010

Tentando compreender o amor bíblico

O amor bíblico sempre foi um mistério pra mim. Nunca consegui inseri-lo na idéia de amor como um sentimento bom em relação a alguém ou alguma coisa. Tenho, sim, tido a tendência de compreendê-lo como mais próximo da sinceridade do que da compaixão. Façam o teste: todos os textos do Novo Testamento que falam de amor substituam por sinceridade (fazer alguma coisa ou sentir alguma coisa real e honestamente).


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Não espere reconhecimento

Você quer se sentir livre? Então pare de esperar qualquer reconhecimento das pessoas. Se você não é mais um adolescente, então isso é uma obrigação. Faça as coisas por amor e se preocupe apenas em saber que você está dando o melhor. Não esperar o reconhecimento humano é a chave que desata os grilhões da infelicidade.

Lado Cego

Gostaria de saber quem traduz os nomes dos filmes aqui para o Brasil. Outro dia fui assistir "Um Sonho Possível" no cinema e fiquei indignado de não aproveitarem o nome original - "Blind Side", que além de ser muito mais interessante, diferente do título breguíssimo em português, explica muito da estória do filme.

Lado Cego II

Esse filme foi uma grata surpresa, pois o comentário que havia ouvido do Rubens Ewald Filho era de que se tratava de um besteirol religioso. No entanto, além de ter um ritmo bem gostoso, o filme retrata uma bela história real. Vale à pena assistir.

Lado Cego III - O Preconceito

Impressionante como tudo o que é favorável ao cristianismo incomoda as pessoas. O filme, apesar de retratar a vida de uma família cristã, apenas resvala na questão religiosa, não sendo esse, absolutamente, o mote principal do filme. Ainda assim, já é suficiente para alguns críticos o classificarem como um besteirol religioso. Tenho certeza que se o enredo retratasse a história de um casal homossexual que acolheu um garoto negro seria feito um alarde estrondoso em favor do filme. Porém, como se trata de um casal cristão, as coisas são vistas de maneiras bem diferentes.


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sábado, 26 de dezembro de 2009

Resgatando nossos valores

pregação de Natal
dia 20 de dezembro de 2009

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

O Natal é uma festa de crianças

(comemoração de Natal na igreja Fonte da Vida)


O Natal é uma festa de crianças! Vocês já repararam que são as crianças que mais se empolgam com ela? As luzes, o clima, tudo o que envolve o Natal tem um impacto muito maior nelas do que em nós, homens e mulheres maduros. Realmente, o Natal é uma festa de crianças.

Nós, corações amargurados, lamentamos o Natal, dizendo que não tem mais o encanto de antes, de quando éramos crianças. Mas, será que, realmente, o Natal mudou ou nós que não somos mais crianças? Será que não se apartou de nós aquela pureza própria da inocência que transformava tudo em mais belo e mais feliz? Nós, que hoje somos tão maduros, tão independentes e tão realistas, será que não fechamos as portas para a beleza da vida?

Não há criança que não goste do Natal. Afinal, o Natal é uma festa de crianças. Inclusive os presentes, tão criticados pelos embrutecidos pelo amargor da luta, encantam muito mais às crianças do que a nós. Veja: a esperança, o anseio da surpresa, tudo nisso desperta o imaginário infantil, de tal forma que é impossível uma criança não gostar do Natal.

Em nossas memórias natalinas estão ainda aquelas reuniões familiares, as quais, para nós, tinham o encanto da unidade e da alegria do encontro. Hoje, se pudéssemos, fugiríamos delas, afinal, dão tanto trabalho, há tanta falsidade... Mas, para as crianças, alheias a todo tipo de dissimulação, ver tanta gente junta só pode ser sinal de coisas boas, de alegria, de confraternização. Então, para elas, o Natal também traz isso: pessoas para perto, festa, felicidade. Por isso, digo outra vez, o Natal é uma festa de crianças.

Se você ainda não se convenceu, preste atenção:

Há um Deus supremo, todo-poderoso e grandioso. Em determinado momento da história Ele se dignifica de vir à terra, como homem. Para isso, se põe como um bebezinho. Mas pode um ser supremo se colocar em um corpinho tão frágil? Sim, e foi assim. Por isso o Natal não é apenas uma festa para crianças, mas de uma criança. Nesse dia se comemora o Deus em um corpo pequeno, dependente e indefeso. Em tudo sujeito aos outros, solicitando, como toda criança, os cuidados e zelo de seus pais.

Será que já não há aí algum símbolo? Jesus não poderia aparecer de repente, surgindo no meio do deserto, dizendo que veio de Deus? Não seria adorado ainda mais se assim o fizesse? Mas não! Veio como um bebê: pequenino, frágil e singelo.

Por isso o Natal, e por isso esta é uma festa de crianças.

Os olhos estavam turvos, aguardando um grande e poderoso rei, e acabaram por não ver o sinal da estrela que guiava até o próprio Deus. Os ouvidos estavam moucos, surdos para os profetas, e não ouviram o coral de anjos que anunciava a vinda do Messias. Nem os sinais, nem a palavra, nada. Os corações maduros não poderiam entender.

Como, homens já feitos, poderiam compreender isso: um pequeno bebezinho, vindo à luz em meio a animais, fugido de um rei feroz, escondido como um ladrão, sendo o próprio Deus? Como se curvar diante de uma simples criancinha, se o que esperavam era um grande libertador?

E nós, modernos senhores de si mesmos: como seguir um homem que nos diz para deixar tudo o que temos, para viver na singeleza da fé? Como nos guiar pela idéia de que não precisamos nos preocupar, pois os lírios do campo são guardados por Deus, quanto mais nós? Como confiar em uma palavra que nos ensina a ser como pombas, tão simples que até parecem imbecis? Como acreditar em uma fé que indica um caminho para o céu que não depende de quem somos, mas apenas em quem cremos?

Além de tudo isso, nos diz para sermos como crianças, que delas é o céu, e que devemos nascer de novo, e obedecer, exatamente como uma criança deve fazer.

Sinceramente, o Natal, decididamente, não é para os adultos. Eles jamais entenderiam o que ele quer dizer.

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Cristãos valentes

Uma pregação sobre as dificuldades da vida e sobre o quanto de aflição está reservada para todos nós, diferente do que possa parecer, não é derrotista ou conformista, mas, sim, uma pregação de consciência. Enxergar a verdade nua e crua jamais pode ser considerado fraqueza. Muito pelo contrário, demonstra uma clareza que é exigida de qualquer pessoa sã. Não pode ser sadio alguém que não enfrenta a realidade como ela é, mas cria fantasias ilusórias, mentindo para si mesmo, engendrando um mundo falso e alienante.

O cristianismo jamais foi uma religião de coitados. Mesmo diante das mais cruéis perseguições, a característica que sempre se observou nos crentes foi a resistência diante das maiores crueldades cometidas contra eles. São histórias e mais histórias de homens e mulheres que não abriram mão de sua fé, ainda que isso lhes custasse sofrer o terror da tortura e até a morte.

Por isso, é difícil compreender a postura dos cristãos atuais, os quais disseminam um sentimento de coitadismo absurdo, pelo qual todos se sentem vítimas de um mundo mal, aguardando a chegada de uma mão forte que os restaure a uma posição de honra que supostamente caberia a eles. Sentem-se como vítimas do mundo, do diabo, do Estado, dos patrões e de todos os que, de alguma maneira, possuem algum tipo de superioridade em relação a eles.

Diante da assimilação dessa idéia, então surge uma cultura típica de coitados, a saber, a cultura da reclamação. Reivindicam, determinam e rejeitam tudo aquilo que acreditam ser injusto. E é óbvio que, conforme essa cultura, são, o tempo todo, injustiçados. E para os injustiçados não cabe outra alternativa senão reclamar, reclamar, reclamar.

Mas há ainda outra conseqüência dessa cultura da reclamação, que é a crença de que todos eles têm um lugar de honra do qual foram retirados. Incrivelmente crédulos de seus direitos, acham que tudo conspira para os remover de seus postos elevados. Precisam, portanto, reclamar muito a fim de que haja uma restituição de seu status de direito.

É impressionante como o cristão contemporâneo é semelhante a uma criança mimada dentro de um supermercado. Bate o pé, chora, grita, esperneia, reclama, pede, exige. Talvez, a sorte dele esteja no fato de Deus ser absolutamente misericordioso. Senão, já teria levado uns belos de uns bofetões.

O pior de tudo é que aquele que vive assim, apenas dessa cultura da reclamação, tem a petulância de achar que é mais espiritual do que o pobre cristão que, de uma forma ou de outra, enxerga a realidade da vida. Aquele tem a este como um derrotado, um conformista e resignado que não tem coragem de exigir o que, supostamente, é seu por direito. Diante disso nós vemos o quanto está distorcida toda a noção de moralidade e virtude, mesmo no seio do cristianismo.

Derrotado, por certo, é aquele que não luta e não enfrenta a realidade com todas as suas agruras e dificuldades. Seu destino é a reclamação. Impotente diante das forças do mal, apenas lhe resta botar as mão na cintura e bater bastante o salto, como um típico guerreiro bárbaro!

Diferente disso, o cristão verdadeiro é um valente. E por isso a Bíblia ensina que os tímidos e medrosos não herdarão o céu[1]. Quem não for tido por guerreiro de Cristo, quem não lutar as lutas do Evangelho, quem não vestir as armas de combate espirituais[2], não terá o prazer de fazer parte da família eterna de Deus.

No entanto, a valentia cristã se dá numa base um tanto diferente da de um guerreiro de fato. O cristão valente o é por sua convicção, em primeiro lugar. Sua valentia é demonstrada diante dos ataques morais e intelectuais que sofre. Sendo um guerreiro, com efeito, não sucumbe diante dessas investidas e mantém-se firme. Também é valente por causa de sua fé. Com ela não enxerga inimigos tão grandes os quais não possa enfrentar. Tendo um supremo general, que é Cristo, segue firme no campo de batalha, certo que faz parte de uma tropa vencedora. Mas o cristão também é valente porque seus valores não estão arraigados nesta vida, e, como bom soldado, não se embaraça nos negócios deste mundo[3]. Pelo contrário, se mantém alerta ao chamado de Cristo e pronto para morrer por seu Nome!

Por outro lado, não é verdade que um bom soldado nunca chore. A diferença é que seus lamentos são derramados em seu leito, longe dos olhos do inimigo, diante apenas daquele que tudo vê e pode trazer o verdadeiro conforto. Ao toque da trombeta, no entanto, o bom soldado enxuga suas lágrimas e responde à convocação com firmeza de ânimo, pronto a servir ao grande exército de Deus.

 O bom soldado não finge que a guerra não existe, nem se sente injustiçado por causa do ataque do inimigo, o que seria absurdo. Ele, de fato, enxerga os perigos e as dificuldades inerentes a qualquer batalha. Assumindo os riscos e consciente das dificuldades, ele veste a armadura de Cristo e se dispõe a lutar todas as batalhas que se apresentam diante dele, até a derradeira, na qual sucumbirá, enfim. Porém, mesmo nesta, ele poderá dizer: Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé...


[1] Apocalipse 21.8
[2] Efésios 6.11
[3] 2ª Timóteo 2.4


quinta-feira, 26 de novembro de 2009

A presença da eternidade

Enquanto a morte for uma ruptura, a vida será trágica. Apenas a compreensão da dimensão da eternidade pode oferecer paz à alma humana. Somente quando a eternidade deixa de ser o estágio futuro, com o início determinado, é que ela se torna realmente eternidade e abraça não apenas a esperança do porvir, mas a existência presente.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Irmãs iranianas perseguidas por serem cristãs.


A revista Portas Abertas deste mês noticiou:


"No dia 7 de outubro, as cristãs iranianas Maryam e Marzieh, presas em Teerã no dia 5 de março, foram levadas ao tribunal. Elas respondem por três acusações: realizar atividades antiestado, propagar o cristianismo e apostasia. O juiz as absolveu da acusação de realizar atividades contra o Estado. Por esse motivo, o caso de Maryam e Marzieh será levado para um tribunal comum e não islâmico, onde as outras acusações serão julgadas. Elas voltaram para a prisão, para esperar a próxima audiência. A saúde das cristãs está debilitada. A Anistia Internacional publicou um apelo urgente, pedindo que as duas sejam soltas, afirmando que "são prisioneiras de consciência, presas apenas por sua religião".


Este é o país do presidente Mahmoud Ahmadinejad, o mesmo que foi recebido ontem, dia 23/11/09, pelo presidente Lula, com todas as honras de Estado.


O mesmo presidente que desdenha do Holocausto ocorrido com os judeus na 2a Guerra Mundial e o mesmo que tem como objetivo obsessivo o 'varrer Israel do mapa`.


Segundo o portal de notícias G1, “referindo-se a Lula como ‘bom amigo’, o presidente do Irã manifestou gratidão ao presidente brasileiro pela acolhida e lembrou os desafios dos dois países em relação às mudanças em curso no mundo. "Brasil e Irã são dois países importantes e atuam em duas regiões bastante sensíveis do mundo. O mundo hoje enfrenta desafios de dimensões formidáveis. Tem havido um crescente ceticismo, falácias, e também vemos a continuidade de políticas por nações que desejam manter e continuar seu domínio no mundo", discursou o presidente iraniano. Ahmadnejad defendeu a parceria entre Brasil e Irã para 'construir um mundo sem guerras'. 'Um mundo distante da hostilidade, um mundo onde não haja ocupações nem guerras, um mundo distanciado da injustiça, um mundo repleto de paz, amizade, fraternidade entre as nações do mundo'.


Nada mais demagogo e mentiroso. Como falar em paz sendo presidente de um país que pune aqueles que professam uma fé diferente da oficial?


Nosso presidente, como é sabido, tem preferência pela pior estirpe mundial, com uma queda acentuada por ditadores e terroristas.


Mas vocês acham que isso é por acaso? Não mesmo. Faz parte de sua ideologia, e de todos aqueles que seguem juntos com ele.


Simplesmente lamentável.


Voltando às irmãs iranianas, a revista pede:


“Você pode intermediar a libertação dessas irmãs escrevendo em favor delas. A Portas Abertas disponibilizou em seu site uma campanha de ações institucionais. Acesse e peça a liberdade de Maryam e Marzieh ao Líder Supremo da República Islâmica do Irã, aiatolá Sayed Ali Khamenei”.


Se você puder, escreva e colabore com essa pressão internacional.

sexta-feira, 30 de outubro de 2009

O melhor de Deus

(pregação na Igreja Fonte da Vida, no dia 28 de outubro de 2009)

Deus é aquele que é poderoso para fazer tudo muito mais abundantemente além daquilo que pedimos ou pensamos. Se assim é, então eu quero o melhor que Ele pode me oferecer, o mais alto de sua graça, o mais profundo de sua bênção. Se Ele pode me dar o melhor, porque eu ficaria satisfeito com o pequeno? Eu sei que Deus me ama e que Ele sempre quer o melhor para mim.

A partir disso, estipularei uma meta: o melhor de Deus para mim. Eu sei que nossas metas são aquelas coisas que norteiam nossa vida. Quanto mais altas elas forem, tudo o que fazemos passará a se conduzir naquela direção. Se o que buscamos é pequeno, pequena será nossa existência. Ao contrário, se é grande, grandes coisas poderemos viver.

Nós não somos medidos por quem somos hoje, menos ainda pelo que nós temos. São os nossos planos que indicam verdadeiramente nossos caracteres mais profundos. Isso porque, repito, se temos objetivos finais bem altos, mesmo que não os alcancemos plenamente, são eles que guiarão todo o nosso ser. O mesmo acontece com os objetivos finais baixos – nos guiarão na medida de seus fins.

Eu quero o melhor porque sei que Deus tem o melhor para mim. Também sei que minha recompensa será de acordo com aquilo que eu desejar como fim. Disto virá meu prêmio.

O que eu mais quero nesta vida? Isto vai me guiar, isto eu vou buscar, isto será a minha recompensa. Então, eu preciso escolher muito bem o que eu quero, pois isto vai moldar o meu ser. O prêmio que buscamos é o que caracteriza a nossa personalidade, quem nós somos.

Qual a sua escolha? O que vai lhe guiar por toda a sua vida? Qual é o seu objetivo final. Lembre-se que sua estatura é idêntica a do seu objetivo.

Eu conheço pessoas que têm seus bens como o objetivo final de suas vidas. Muitas conquistaram muitas coisas. Mas isso é tudo. Elas são seus bens.

Eu conheço pessoas que têm o dinheiro como o objetivo final de suas vidas. Muitas ganharam dinheiro. Mas isso é tudo. É o que elas são: seu dinheiro.Eu conheço pessoas que têm suas carreiras como o objetivo final de suas vidas. Muitas são bem sucedidas. Mas isso é tudo. Elas são suas carreiras. Eu conheço pessoas que têm seus cônjuges como o objetivo final de suas vidas. Muitas são muito bem casadas. Mas isso é tudo. Elas são seus cônjuges. Eu conheço pessoas que têm seus conhecimentos como o objetivo final de suas vidas. Muitas são até intelectuais. Mas isso é tudo. Elas são seus conhecimentos. Eu conheço pessoas que têm o reconhecimento e a fama como o objetivo final de suas vidas. Muitas são alcançaram isso. Mas é tudo. Elas são seu reconhecimento e sua fama. Eu conheço pessoas que têm sua religião como o objetivo final de suas vidas. Muitas se tornaram grandes obreiros. Mas isso é tudo. Elas são sua religião. Elas atingiram seus objetivos e já foram recompensadas (Mt 6.2, 5 e 16).

Triste é o homem que tem a sua recompensa nos seus bens, dinheiro, carreira, religião... Ele não pode esperar da vida nada além do que essas coisas podem dar. Ele estará limitado a viver na esfera daquilo que ele escolheu como seu objetivo. Isso pra mim é um inferno, porque é uma existência inferior. Imaginem: há pessoas que têm como objetivo final de suas vidas apenas os prazeres: sexo, boa comida, diversão. O que elas recebem é o que apenas essas coisas podem dar, e mais nada. Vivem piores do que animais, por que estes têm isso como máximo de sua estrutura, mas o homem não. O homem, por ser imagem e semelhança de Deus, tem uma necessidade interna de transcender tudo isso. Porém, quando seu objetivo final não ultrapassa essas coisas imediatas, ele se aproxima do cão.


Busquem as coisas que são de cima (...) pensem nas coisas que são de cima (Cl 3.1-2). Meu Deus, qual é a extensão do meu ser? Será que eu vou ter a minha vida comparada a de uma serpente, a qual apenas se rasteja pela terra, enxergando as coisas sempre por baixo? Será que eu, imagem e semelhança de Deus, vou viver apenas um pouquinho diferente de um animal?


Não ajuntem tesouros na terra (...) mas ajuntai tesouros no céu. E aqui Cristo não está se referindo apenas a dinheiro. Aliás, pouco ele está se referindo a isso. Tesouro é aquilo que temos como mais importante, aquilo sobre o qual colocamos nossas esperanças e felicidade. São os nossos tesouros que moldam a nossa personalidade, são eles que caracterizam o nosso ser.

Então, se o meu tesouro é o céu; é o céu quem irá me moldar. Se meu objetivo final é Deus, Ele é quem vai formatar quem eu sou. Se Cristo é a minha herança, Ele será a minha recompensa.

Ora, se eu posso buscar o que Deus tem de melhor, porque vou me rastejar em migalhas. Se há uma promessa de eternidade e de vida, porque apressar meus passos pra morte? Se Deus quer me fazer um homem espiritual, porque vou querer ser simplesmente animal, carnal? Eu quero o prêmio máximo. Não me contento com nada menos que isso. As coisas deste mundo podem me recompensar, mas sei que são apenas prêmios de consolação.

Por isso, seguindo esta decisão, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é honesto, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se há alguma virtude, e se há algum louvor, nisso pensarei!

As recompensas deste mundo são pequenas algemas que nos prendem a ele. Mas o prêmio de Deus é a liberdade de sermos exatamente de acordo com o propósito que Ele nos criou. Nos libertando das amarras da corrupção, efeitos da Queda, Deus nos ajuda a superar inclusive nossas pequenezas psicológicas, nossa estreiteza existencial e a fragmentação de nossa consciência.

Meu objetivo final é o céu e é ele quem vai guiar todos os meus passos.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O silêncio dos culpados

"O mal reside em que aqueles cuja vida testemunha profundo horror aos exemplos dos maus poupem os pecados dos irmãos, porque lhes receiam a inimizade, porque temem ser lesados em interesses, é verdade que legítimos, mas demasiado caros a homens em viagem neste mundo, guiados pela esperança da pátria celeste"

trecho extraído do livro "A Cidade de Deus contra os pagãos", de Agostinho de Hipona.

A Vós líderes da igreja cristã: atentai às palavras do ministro! Vosso silêncio é um golpe e vossa bajulação é traição.  

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

O que eles querem?

Algumas coisas são realmente bem difíceis de entender. Após me deparar com a notícia de que as Igrejas Luteranas na Suécia aprovaram a possibilidade da realização de casamentos homossexuais sob sua ordem, além de tendências similares em outros países, e da efusão de alegria dos grupos gays com essa conquista, me pergunto: o que esses grupos realmente querem?

Pense comigo: durante muito tempo, e ainda hoje, as pessoas conservadoras, defensoras da família e de uma tradição foram tachadas de retrógradas. Instituições como a família e o casamento sempre foram considerados, pelos grupos liberais, como exigências sufocantes sobre a sociedade. Cresci ouvindo as pessoas dizerem que o casamento é uma instituição falida e a família uma imposição não natural. Pasmem, isso mesmo. Lembro de uma professora de Antropologia que nos disse que poderia provar cientificamente que a família era uma criação burguesa. É evidente que ela não provou e não explicou por que. Porém, à época, eu com apenas 18 anos de idade, fiquei muito impressionado com aquela afirmação.

Em relação à igreja e à religião, então, o ataque sempre foi bem mais feroz. Para homossexuais, feministas, esquerdistas e tutti quanti, cristianismo, de maneira geral, sempre foi modelo de repressão, atraso e preconceito. Para eles, a religião era uma mal alienante e uma maneira de submeter as massas. Também sempre criticaram os cristãos por suposta hipocrisia, além de enxergar em qualquer instituição religiosa apenas um modelo de totalitarismo.

O mais importante, porém, é ter a certeza que todos esses grupos humanistas e progressistas (liberais e esquerdistas) sempre levantaram a bandeira que dizia: Abaixo a família! Abaixo o casamento! Abaixo a Igreja!

Porém, agora, o que eles estão conquistando é exatamente o direito sobre tudo aquilo que sempre combateram. Criticavam a família e estão conquistando o direito à adoção. Criticavam o casamento e estão conquistando o direito de se casarem e, pior ainda, sob as 'bênçãos' da mesma igreja sobre a qual eles não podiam sequer ouvir falar!

Diante disso, as únicas conclusões que chego é que esses grupos poderiam ter se tornado conservadores e, sem abrir mão de suas práticas antigas, agora defenderiam os mesmos valores e instituições que os mais radicais religiosos sempre defenderam ou, bem mais provável, considerando que chamá-los de conservadores é, para eles, uma ofensa pessoal e como é impossível qualquer conciliação entre os valores que eles defendem e a fé cristã, então, o que está ocorrendo só pode ser uma verdadeira infiltração destrutiva no âmago da igreja.

É óbvio que essa penetração não seria possível sem a conivência dos próprios líderes da igreja, porém, quem não garante que esses líderes também não sejam infiltrados?

As recentes conquistas dos grupos de esquerda, no seio da igreja, não são mero resultado da secularização da religião, mas fazem parte, e isso para mim parece bem claro, de um planejamento para a destruição do cristianismo desde dentro.

É importante, ainda, salientar que a existência de pessoas bem intencionadas que acabam simpatizando e às vezes até se juntando a esses grupos não é uma exceção à regra, mas faz parte do planejamento mesmo. Essa infiltração apenas é possível porque há, por parte de líderes e fiéis, uma predisposição criada por anos de desvios doutrinários, pelo mundanismo crescente, pela perda de valores básicos e pela falta de convicção pessoal. O que os grupos liberais fazem é, se aproveitando da situação, como vírus oportunistas, contaminar a instituição esperando o seu definhamento.

Satanás é covarde e sabe que não pode enfrentar de peito aberto a Igreja de Cristo. Então, por meio de seus asseclas, tenta minar sorrateiramente as próprias bases dessa igreja para, por fim, tentar destruí-la.

Não há espaço para diálogo. Não é possível qualquer negociação. O que há são existências antagônicas que se expelem mutuamente. Não se iluda pensando que possa haver um meio-termo entre as partes. Não se engane acreditando que possa haver mútuas concessões. Ceder, um milímetro que seja, para esses grupos é abrir ainda mais as portas do inferno para que pessoas se precipitem em seu abismo. Eles não cederão em nada, como não cedem há muito tempo. Apenas a igreja vem cedendo e cedendo e cedendo...


quinta-feira, 22 de outubro de 2009

Verdadeiros soldados

"Em tempos de guerra, enquanto os irmãos mais velhos partem para a luta de verdade, os menores brincam de soldados em casa".

trecho extraído do livro 'Verdadeira Espiritualidade', de Francis Schaeffer.

Quem nós somos: verdadeiros soldados de Cristo ou apenas brincamos de cristianismo? Encaramos a batalha ou ficaremos apenas nos vestindo de generais, sem correr os riscos?

Leia: II Timóteo 2.4 e Efésios 6.12.

quarta-feira, 21 de outubro de 2009

Democracia da morte

"As opiniões das massas, ou a ausência dessas opiniões, são alvo da máxima indiferença. Não é possível dar-lhes liberdade intelectual porque não possuem intelecto. Num membro do Partido, por outro lado, não se pode tolerar nem o menor desvio de opinião a respeito do assunto menos importante".

trecho do romance "1984" de George Orwell, no qual o autor descreve o método do Grande Irmão (Big Brother), ou Partido.

Impossível não remetermo-nos ao recente caso dos dois deputados do PT, Henrique Afonso e Luiz Bassuma, os quais foram suspensos pelo próprio partido por serem eles abertamente contrários à legalização do aborto.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

Sinagogas Vermelhas de Satanás

Quando a opinião de alguém é impulsionada pela verve ideológica, suas idéias são afetadas pela incoerência que se arroga libertadora, mas que apenas denota a fragilidade dos seus próprios pensamentos.

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Sinceridade

A sinceridade de alguém pode ser medida da seguinte forma: em cima do que a pessoa disser, pergunte – Como funciona isso, na prática? Invariavelmente, a resposta será um silêncio embaraçado ou uma seqüência de palavras desconexas que nada elucidarão o problema.

sexta-feira, 3 de julho de 2009

Amigo de Deus

A diferença entre um verdadeiro cristão e um mero religioso é que aquele não apenas crê em um Deus pessoal, mas se relaciona com Ele intimamente. Isso parece tão óbvio, porém tenho percebido o quanto estamos nos afastando desse tipo de relação em favor de um contato pagão com Deus. Explico: uma carecterística comum de todas as religiões pagãs era possuirem deuses que pouco se relacionavam individualmente com os pobres seres mortais humanos. O contato destes com a divindade era ritualístico, praticamente impessoal. Os rituais religiosos eram a forma de se aproximar desses deuses, porém sem qualquer menção à relação direta entre o homem individual e o deus venerado. O cristianismo, no entanto, revelou uma face de Deus antes não bem compreendida: o amor que se envolve diretamente com o ser amado inferior. O que era absurdo para os gregos, os quais apenas concebiam o amor ascendente (o amado superior), foi revelado por Jesus Cristo sem qualquer ressalva. A partir disso, com a compreensão da simbologia do véu rasgado, o homem pôde saber que o Deus ao qual ele se remete não é uma entidade distante, alcançado somente por meio de mistérios iniciáticos, mas é o amigo acessível, a despeito de sua eterna superioridade, que nos ama e nos ouve.
O nosso afastamento não tem ocorrido por omissão (apesar de muitos cristãos negligenciarem a oração como forma de contato com Deus), mas, principalmente, pela maneira como nos dirigimos a Ele. As orações que tenho escutado em nossos templos têm se mostrado tão impessoais que parece que Deus está bem distante. São reivindicações, invocações, reclamações e instigações que se encaixariam muito bem numa linguagem entre empregados e seus patrões. Sabe aquele jeito impessoal de se dirigir a alguém como se o seu interlocutor não estivesse presente e você quisesse apenas mandar um recado por meio de outras pessoas? Sem contar o conteúdo que tem se restringido a requerimentos quase formais de satisfação dos desejos mais idiossincráticos.
Estamos perdendo uma amigo, não porque Ele tem se afastado de nós, mas porque estamos conservando-o a uma distância segura em relação às nossas vidas. O Deus próximo e pessoal é um incômodo que faz-nos deparar com nosso pecado, vícios e mentiras. O amigo sincero se torna o chato que só pela sua presença nos força a olharmos para dentro de nós mesmos e vermos a imensidâo de incoerências e impurezas que existe. Então, é muito mais agradável mantermos este amigo longe, a uma distância que Ele possa nos ouvir, mas não sussurrar aos nossos ouvidos.
O que não percebemos é que o que parece uma simples conveniência, na verdade é um desperdício absurdo. Se quem rasga dinheiro é louco, podemos ser chamados de loucos quando, tendo o Criador de todas as coisas e Deus Todo-Poderoso se dispondo a ser nosso amigo, nos ouvindo e estendendo suas mãos para estar ao nosso lado, preferimos a pobreza da vida pseudo-espiritualizada de quem apenas fala para Deus, mas jamais com Ele. E se esta noite Ele pedisse nossa alma?
Fica fácil compreender, com isso, quando Jesus diz que muitos agirão em seu nome mas não serão conhecidos por Ele. São aqueles que a despeito de repetirem a palavra Jesus Cristo incessantemente, não colocam a pessoa Jesus Cristo em suas vidas cotidianas. Estão sacrificando a um deus distante, adorando uma entidade, invocando uma divindade que parece menor.
Quando eu for recebido pessoalmente por Cristo, desejo que Ele me reconheça, não apenas como um bom religioso, mas como alguém que viveu ao seu lado. Quero perceber em seu olhar a confirmação de estar recebendo uma pessoa já íntima, da qual possui diversos segredos e confissões. Espero me deparar com aquele olhar de confirmação, próprio dos amigos que se conhecem há tempos e já não precisam das palavras para se expressar.
Para isso, não posso esperar mais. Preciso começar, desde já, a ter Deus em minha vida intimamente. Devo perder o medo de me confessar, de me expor. Devo, também, estar pronto para ouvir e obedecer. Devo ser amigo de Deus, numa amizade eterna que ninguém pode quebrar.

quinta-feira, 4 de junho de 2009

Um Acordo Tácito

Quando alguém não se distingue quem é, vendo em si mesmo vários, ou outro qualquer, já não pode ser digno de confiança. E se a confiança se caracteriza pelo lançar-se nos braços de alguém que, se pressupõe, confiável, como confiar em quem não sabe nem mesmo quem é, portanto, não pode sequer confiar em si mesmo?

quinta-feira, 14 de maio de 2009

Nossos brinquedos

Vivemos em mundo fragmentado, no qual cada um sobrevive em seu pequeno espaço, sequer se preocupando em olhar para fora para ver o que está ocorrendo por aí. O individualismo chega ao seu ápice quando mesmo em relação aos assuntos mais universais as pessoas continuam enxergando-os como se fossem mera expressão pessoal de predileção e prazer.

quarta-feira, 6 de maio de 2009

Exatamente como somos

Em um mundo no qual as máscaras são nossas companheiras, verdadeiras fortalezas que permitem a nossa sobrevivência, quem pode renegar, ainda que sejam apenas alguns instantes, a chance de experimentar momentos de limpidez, de sinceridade e transparência?

quinta-feira, 9 de abril de 2009

A sabedoria dos antigos

Em vez de decepção, há um verdadeiro fascínio em decobrir algo que já existe, em perceber que uma coisa que, no profundo de nossas reflexões, foi achada, já havia sido achada muito tempo antes, por outros. Ao invés de tristeza há, sim, uma sensação reconfortante, um real sentimento de 'não estar só'. Além disso, saber que a grande maioria das coisas já foi dita ou pensada nos mantém humildes em nossa posição, evitando a arrogância de quem se acredita o único dono da verdade.
Forcei minha voz com penoso exagero juvenil ao proferir minhas verdades e fui punido da maneira mais adequada e engraçada, pois mantive as verdades, mas descobri, não que não eram verdades, mas simplesmente que não eram minhas.
Ouvir a voz do passado é mais que reverência, é inteligência. Por que caminhar um caminho tão longo, se posso ser carregado nos braços por boa parte dele? Quando investigo algo e me levo a beber na fonte dos antigos, percebo que minha caminhada se torna muito menos penosa, afinal. Muitos passos que, por meus esforços, precisaria dar, já foram dados por eles e são o atalho para o meu destino.
Ainda sou jovem, mas já aprendi a reconhecer o valor da tradição, da autoridade dos antigos. Talvez não como alguns medievais, que sendo exemplos de reverência e respeito à autoridade, às vezes até exageravam nisso, mas como alguém que compreendeu que a humildade não é apenas um ato exterior, mas uma decisão consciente de quem se conhece, tem ciência de sua posição e condição e não se coloca acima disso, pelo contrário, até se curva diante da sabedoria de homens que destrincharam as mais cerradas florestas do conhecimento.
Jovem, se queres ter algum conhecimento relevante, saibas que ignorar o acervo do passado, principalmente daqueles que reconheceram a sabedoria de Deus, é um risco sem compensação em qualquer ramo do saber.
Isto é tradição, isto é autoridade, isto é reverência, a saber, que neste mundo, apesar de lograrmos apenas um destino, por apenas um caminho, é mais fácil seguir esta via com a ajuda daqueles que já a trilharam.
Citação de G. K. Chesterton

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Silêncio

O homem possui um desejo imenso de se fazer compreender, porém, se fosse apenas isso, nenhum mal causaria, então. No entanto, mas do que compreensão, ele exige aceitação e, daí, começam os problemas. Querer ser ouvido é um direito, querer ser acatado não passa de um desejo.

segunda-feira, 30 de março de 2009

Longe da multidão de vaidades

Não esqueçamos jamais disso: nossos olhos devem estar atentos à eternidade. Para lá olhamos, não apenas por contemplação, mas como quem segue uma estrela-guia. Tudo o que fazemos e pensamos, então, se submete a este princípio: meu destino é a eternidade. Então, por que se prender nas futilidades temporais e sofrer tanto com a transitoriedade das coisas? Grande loucura é descurarmos as coisas úteis e necessárias, entregando-nos, com avidez, às curiosas e nocivas. Na multidão de idéias e discussões penetra, facilmente, a vaidade, a soberba e, não raro, as dissoluções. E tudo por razões que mal se sustentam, que não subsitiriam ao leve sopro do Verbo. Portanto, calem-se todos os doutores; emudeçam as criaturas todas em vossa presença; falai-me Vós só.
Se a eternidade é o alvo, as coisas deste mundo, em sua grande maioria, tendem apenas a me desviar dele, então, parece óbvio que minha alma deve se prender em pouco, que é tudo. Há um só Deus, há uma só Palavra revelada, há um só Messias e apenas um caminho para a salvação. Destarte, devem meus olhos olhar diretamente para onde pretendo chegar e não me distrair nas belezas que morrem. O espírito puro, singelo e constante não se distrai no meio das múltiplas ocupações porque faz tudo para a honra de Deus, sem buscar em coisa alguma o seu próprio interesse.
O acúmulo de ciência pode até ser bom, mas apenas se voltado para Cristo. Toda ela deve me levar para mais perto de quem amo, mais próximo do meu Salvador. Melhor é entrar no reino dos céus sem um olho do que permitir que este olho me conduza para longe do Senhor. Vigiai, pois há muitas vaidades e todas loucas para nos tragar. Certamente, no dia do juízo não se nos perguntará o que lemos, mas o que fizemos. Um instrumento só é útil enquanto tal; ao se transformar em fim, torna-se um vício, um veneno para a alma.

E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo.

citações de Tomás de Kempis e Filipenses 3.8

quinta-feira, 26 de março de 2009

Contra a impiedade

Quantos reconhecem o verdadeiro salvador? Se estreita é a porta que conduz à vida eterna, pela porta larga segue a maioria dos homens. E se o mundo segue ainda mais impiedoso, a largura de tal porta já se torna estreita pela demanda de sua passagem. Os pecados são tantos que é enfadonho enumerá-los e talvez a soberba da vida seja o primeiro e o fundamento de todos eles; basta este para conhecer todos os demais.
Mas há um juízo, sim. Do trono excelso o Senhor exigirá contas dos homens. E quem subsistirá? O Senhor cortará todos os lábios lisonjeiros e a língua que fala soberbamente. Quem confia em sua própria ciência é tido por louco por Deus que, então, aniquilará a sabedoria dos sábios e rejeitará a prudência dos prudentes.
São os simples, os pobres de espírito, quem Deus defende contra as astúcias artimanhas dos conhecedores deste mundo, da autoridade científica e mundana, dos mestres e doutores da loucura. Se somos frágeis, pois vivemos pela fé, se estamos indefesos, pois somos obscuros, se os senhores da técnica e do conhecimento vociferam contra nossas verdades, saibam eles que pela opressão dos pobres, pelo gemido dos necessitados me levantarei agora, diz o Senhor; porei a salvo aquele para quem eles assopram.
São cegos guiando cegos; soberbos louvando soberbos; loucos aconselhando loucos. Os ímpios andam por toda parte; quando os mais vis dos filhos dos homens são exaltados.
Nós, porém, nos sentimos seguros, arraigados na verdade, fincados com os pés na rocha, estabelecidos na realidade. Isso porque confiamos no Altíssimo, ouvimos sua voz e reconhecemos o chamado do pastor eterno. As palavras do Senhor são palavras puras, como prata refinada em fornalha de barro, purificada sete vezes. Não mes esconderei, portanto, nos jogos verbais da multidão, nem me curvarei à impureza dos que desejam negar a Deus, mas, sim, me submeterei àquele que traz em sua boca o mistério da verdade.

sexta-feira, 13 de março de 2009

O caso da menina de Alagoinha/PE

Diversas pessoas me abordaram com a mesma indagação: "E no caso daquela menina de 9 anos que foi estuprada, você, ainda assim, é contra o aborto?". Ao demonstrar a minha surpresa com a pergunta, todas elas se adiantaram dizendo que, em casos assim, é muito difícil uma decisão. Pior, quando eu falava que nada na situação fez eu mudar minha convicção, o que eu recebia, era, invariavelmente, um olhar confuso de meu interlocutor. Sabe o que é pior ainda? Quase todas essas pessoas eram cristãs.

quinta-feira, 12 de março de 2009

O Homem-que-sou

O homem-que-sou: um mísero andarilho que pouco pode alterar da realidade, que luta diariamente com progressos ínfimos, resultados parcos, conquistas nulas. Há muitos que falam em revoluções, que anseiam por mudanças, que querem, e acreditam poderem, alterar realmente o universo. Falam de lutas, subversões, ações e gestos que crêem terem forças para transformar, segundo seus próprios ideais. Quanto ao homem-que-sou, porém, fica a eterna sensação de sentir-se frustrado, incapaz de fazer o que os outros dizem que fazem.

terça-feira, 10 de março de 2009

O Aborto e o Dia Internacional da Mulher

É incompreensível, para mim, mulheres que, ao invés de serem defensoras da vida, levantem suas vozes justamente pelo direito de acabarem com vidas indefesas. Logo elas, que para nós representam a geração para a existência, estão nas ruas empunhando cartazes para matar! Quem são elas, afinal? Elas que dizem ser a esperança da paz no mundo, o modelo de sensibilidade e amor. Elas, de quem esperamos tudo, menos a crueldade que tanto marcou o sexo oposto durante toda a história.

No Dia Internacional da Mulher, foi triste ver o sexo frágil vociferando como animal faminto, ansiando pelo alimento que tanto deseja: a morte violenta de fetos indefesos.

Infelizmente, elas ainda acham que o corpo que dentro delas se forma, a elas apenas pertence, e que aquele que se prepara para o mundo vir, nada mais é do que um objeto que pode ser descartado a qualquer momento.

Diante disso, só posso concordar com o que diz, irônica, mas sabiamente, o professor Olavo de Carvalho: que esses que defendem o tal 'direito de escolha', que o defendam retroativamente, a fim de alcançar a gestação de suas próprias mães, e sejam eles mesmos abortados desta vida (ah, se isso fosse possível!).

sexta-feira, 6 de março de 2009

Malemolência espiritual


Se entre 80 mil pessoas reunidas convocadas a ajudar você, por algum motivo, apenas 3 se dispussesem a fazê-lo, como você sentiria?
Pois esse foi o número de cristãos que se dispuseram a assinar a revista da Missão Portas Abertas, num congresso da VINACC, na Paraíba, segundo informação do Julio Severo.
O próprio Julio já faz uma análise exata da situação, na qual pessoas ignoram completamente o sofrimento dos cristãos em países muçulmanos e comunistas.
Segundo ele, isso tem um caráter profético: afinal, como esses cristãos não se preocupam com o que acontece com irmãos em outros países, com as perseguições e ações estatais contra o cristianismo, como vão se preocupar com o que acontece debaixo de seus próprios olhos?
Volto a pensar no que disse Agostinho, em seu livro 'Cidade de Deus', se referindo a uma previsão de Cipião Nasica, que era contrário a destruição de Cartago:
"Receava outro inimigo das almas fracas, a segurança, e não queria do necessário tutor, o medo, emancipar a pupila romana"
Não estaríamos nós, cristãos ocidentais, vivendo uma malemolência eclesiástica, nos fartando das mordomias do mundo moderno, engordando nossas panças religiosas até que nossas veias espirituais se entupam? Será que não perdemos a noção de estarmos em uma batalha, contra um inimigo chamado Satanás, que além de comandar seus anjos, tem usado Estados e homens na busca de seus objetivos? Será que não nos sentimos seguros demais e nos tornamos, por isso, displicentes?
O sábio conselho daquele pontífice romano é atual. Se não percebemos os perigos que nos rodeiam, tendemos a relaxar e abrimos as guardas para toda investida do mal. Acompanhe o site do Julio Severo e veja como o Estado tem preparado ações para destruir nossos valores mais fundamentais.
O fato acontecido em João Pessoa é apenas um indicador de nossa realidade. Talvez seja um fator irreversível, mas, pelo menos nós, individualmente, podemos mudar isso em nossas vidas.

quarta-feira, 4 de março de 2009

Leituras estranhas

Algumas pessoas chegam à equivocada conclusão de que se leio um livro, concordo com que o autor diz nele. Nada pode ser mais errado! Pelo contrário, ultimamente tenho brigado com muitos escritores, mantendo, enquanto os leio, uma verdadeira discussão com eles.
O que as pessoas precisam entender é que mesmo nos livros dos quais eu discordo, há sempre algo que consigo extrair de ensinamento. Não é apenas o retém o que é bom, mas é o aprender com os erros alheios e ampliar a compreensão com base nos equívocos do outro.
Se leio Kant, mesmo achando tudo aquilo muito estraho; se me esforço a compreender seu ponto de vista, de seus escritos posso tirar, pelo menos, a idéia de como o homem pode se perder em sua imaginação.
Até em Nietzche, a quem eu chamo de 'louco-pensador', apesar de todos os seus devaneios, é possível captar alguns momentos de lucidez e acerto.
Não é porque um escritor, no geral de sua obra, se equivoca, que tudo o que ele diz está errado ou não tem sentido. Muitas vezes, suas idéias tem muito sentido, se entendidas separadamente umas das outras. O erro, normalmente, é percebido apenas na análise do conjunto.
Outro aprendizado que costumo tirar desses autores é a compreensão dos perigos que estão sujeitos os pensamentos humanos. A maioria dos erros dos filósofos são um exemplo de tendências comuns a todos os homens: o relativismo, o cetiscismo, o materialismo etc. parecem ser a inclinação natural do ser humano decaído e distante de Deus.
Portanto, se alguém me ver com um livro meio sinistro debaixo do braço, não se assuste: posso estar lendo ele, mas isso não quer dizer que o que nele está escrito passou a fazer parte da minha filosofia.