Me espanta o cinismo das mentes privilegiadas deste país. Elas que, em outros momentos, se postaram como guardiãs da lei e da ordem, agora, quando lhes interessa, mantêm um silêncio sepulcral. Mesmo quando a lei máxima é vilipendiada, dissimulam não perceber o que ocorre.
sexta-feira, 10 de junho de 2011
Fome e sede da verdade
Posted by Fabio Blanco on 18:16
“Eis que vêm dias, diz o Senhor DEUS, em que enviarei fome sobre a terra; não fome de pão, nem sede de água, mas de ouvir as palavras do SENHOR. E irão errantes de um mar até outro mar, e do norte até ao oriente; correrão por toda a parte, buscando a palavra do SENHOR, mas não a acharão” Amós 8.11-12.
O que vemos, nos últimos tempos, é que as pessoas têm buscado, desesperadamente, algo que preencha suas almas, que dê sentido às suas vidas, que sacie a fome e a sede da verdade que elas têm. Ao mesmo tempo, por mais que as cidades estejam repletas de templos, que as rádios e tvs transmitam amontoados de programas religiosos, ainda que a internet possibilite buscar, em um infinidade de pregadores, aqueles que pareçam mais convincentes, ainda assim a sede e a fome persistem.
Posted in Mística
sexta-feira, 3 de junho de 2011
Entre a besta e a perfeição
Posted by Fabio Blanco on 14:34
O valor de todo homem, a medida de sua estatura, são reconhecidos em suas prioridades, principalmente naqueles assuntos que mais lhe afeiçoam, que são o tema comum de suas parolices. Assim como teu coração reside onde está o teu tesouro, de tua boca ecoa o verbo de tua medida. E esta reflete o tamanho do teu ser. No que tu pensas é o que tu falas, e o que tu insistes em falar demonstra o que te guia. Tu podes ser conduzido pelos céus, pelas maravilhas e pela gloriosa esperança, mas, também podes, como um tronco morto nas águas de um rio, ser levado pela correnteza da pequenez.
Posted in Mística
sexta-feira, 27 de maio de 2011
A trindade humana
Posted by Fabio Blanco on 17:32
O homem moderno está partido. Fragmentado pelos seus desejos e dividido pela vida moderna, ele sofre com a incompletude. Quer se achar, mas apenas se debate na insatisfação que o acompanha.
Posted in Teologia
quinta-feira, 19 de maio de 2011
Minha experiência na pós-graduação
Posted by Fabio Blanco on 17:53
Após mais de 10 anos distante do ambiente acadêmico, e agora envolvido com a ministração de cursos teológicos, decidi, a fim de aprimorar meus conhecimentos na área pedagógica, retornar à faculdade e cursar uma pós-graduação. Por falta de tempo e com a ausência de cursos disponíveis na região onde moro, decidi me inscrever em uma faculdade de Curitiba, em um curso à distância. O curso chama-se Docência do Ensino Religioso e por ser ministrado em uma faculdade Batista, sobre um tema ligado à religião, acreditei que, no mínimo, a visão dos professores em relação, não apenas às matérias, mas à própria realidade, não poderia ser tão diferente da minha. Tomei coragem e segui em frente.
O primeiro módulo tratou da própria ferramenta de ensino à distância e, apesar de não ser um assunto tão teórico, nos textos disponibilizados já percebi a tendência construtivista seguida pela escola. De qualquer forma, ponderei que, talvez, aquela fosse apenas uma impressão, afinal, nada estava muito explícito.
Parti, então, para a confecção dos primeiros trabalhos propostos e qual não foi a minha primeira surpresa ao ver que havia recebido a nota máxima em todos eles. No entanto, ao invés de me alegrar, pensei: é provável que eles nem tenham lido os meus trabalhos ou sequer entenderem o que escrevi. Nos textos que entreguei, combati, frontalmente, toda a ideia construitivista que havia transparecido nos textos de estudo. Como os comentários dos professores em relação aos meus trabalhos haviam sido lacônicos, agarrei-me à primeira hipótese. Isso entristeceu-me, pois, claramente, o curso não apresentava a seriedade que eu esperava.
De qualquer forma, não desisti. Segui para o próximo módulo, porém, quase por inércia. A matéria agora era mais específica, mas já estava desanimado o bastante para não dar muita atenção a isso. O módulo chamava-se Docência no Ensino Superior. Mesmo sem motivação, fiz o dois primeiros trabalhos propostos. No entanto, preparei-os desleixadamente, nos últimos 30 minutos do prazo final, em uma lanchonete, enquanto conversava com meus amigos. Apesar disso, estava certo que seguiria recebendo a nota máxima, pois já estava certo que a faculdade só estava interessada no pagamento dos boletos (diga-se de passagem, enviados todos logo no início do curso).
Qual não foi a minha segunda surpresa ao ver que minhas notas haviam sido baixíssimas: 4,0 e 5,0. Ferido em meu orgulho, apressei-me em verificar os motivos para tão vergonhosas notas. Qual não foi minha terceira surpresa ao ver que a professora além de ter lido realmente meus textos, escreveu extensas argumentações justificando as notas. Apesar de ofendido, de alguma maneira senti-me feliz, pois o cuidado na avaliação fez-me ter a sensação de que a escola era realmente séria e que havia uma exigência de qualidade nos trabalhos. Como eu estava consciente de meu relapso ao fazer as tarefas, aceitei as notas, apenas ressaltando que não concordava com alguns pontos levantados pela professora. Prometi, então, que seria mais diligente na próxima tarefa.
E fui! Estudei a matéria, meditei sobre o assunto, li os textos disponibilizados e confeccionei o trabalho. Tomei o cuidado de manter um padrão acadêmico: citei autores, dei referências aos conceitos e demonstrei que havia estudado a matéria. Estava certo que havia cumprido bem a minha obrigação e estava certo que minhas notas retornariam ao patamar de outrora. Qual não foi a minha quarta surpresa ao ver que havia recebido a nota 6,0! E tal nota não fora dada, dessa vez, por algum problema técnico na confecção do texto, mas por ele não se adequar às ideias trazidas pela própria professora: construtivismo, relativismo etc.
Fiquei indignado e escrevi para ela exteriorizando não apenas a indignação que sentia, mas a minha frontal discordância. Foi, nesse momento, que lembrei-me de um conselho que o professor Olavo de Carvalho havia dado, mais de uma vez, aos seus alunos: que, quando um professor desse notas baixas para ele, simplesmente por não concordar com suas ideias, que esse aluno o expusesse, mostrando, inclusive para os outros estudantes, que esse professor sabe menos que ele. Assim, a partir dali, esse aluno receberia apenas notas altas daquele professor.
Decidi, então, usar o método olaviano de confrontação pedagógica. Nos fóruns e chats do curso não poupei ataques às teorias apresentadas, citando autores que conheço, expondo a fragilidade da ideia construtivista e apresentando algumas alternativas ao monopólio educacional proposto. Qual não foi a minha quinta surpresa ao ver que a professora não fugiu à luta, respondendo a todas minhas intervenções. Isso me foi maravilhoso, pois tive a oportunidade de expô-la quase sistematicamente.
Não colocarei aqui o inteiro teor de todos os debates, por respeito à professora e falta de espaço neste post. Mas colocarei uma síntese das ideias defendidas por ela e que representam bem o que andam defendendo dentro do ambiente acadêmico brasileiro.
A professora insistiu muito na experiência pedagógica como uma relação e, apesar de eu não negá-la por inteiro, discordei profundamente da amplitude dada por ela. Daí, passei a discorrer sobre a questão da verdade, do conhecimento do real, do valor da experiência pessoal, da consciência individual entre outras coisas. Entre as ideias que ela defende, destaco as seguintes:
- A verdade não existe, senão uma última verdade (que ela deu a entender que era Jesus Cristo);
- As outras coisas são apenas aproximação da verdade;
- Mesmo a última verdade só poderia ser alcançada pela fé (a qual, para variar, é algo irracional);
- A realidade é uma construção social;
- O conhecimento deve partir do aluno;
- A didática não é uma técnica, mas uma relação;
- Não há critérios objetivos de avaliação;
Quanto às minhas intervenções, pelas quais apresentei algumas propostas alternativas, apenas o silêncio como resposta. Apesar de a professora não ter sido covarde (e isso expus para ela, apresentando o meu respeito por ela não se esconder atrás de sua cátedra), claramente percebi que fora do âmbito construtivista, no qual ela teve sua formação, nada ela conhece e, por isso, não arriscou expor sua ignorância.
Segui, então, fazendo os meus trabalhos da mesma maneira e defendendo as mesmas ideias dos trabalhos anteriores. Qual não foi a minha sexta surpresa ao ver que minhas notas haviam sido 10, 10, 9,5 e 9,0! Diante disso, apenas posse exclamar:
- Grande professor Olavo! Seu método é realmente infalível!
Apenas uma coisa mais deixou-me incomodado. Nas discussões abertas que tive com a professora, nenhum aluno ousou dar sequer um pitaco. Isso apenas mostra o nível da universidade neste país. Mesmo em um ambiente no qual todas as pessoas são graduadas, formadas nas mais diversas universidades brasileiras, ninguém foi capaz de participar de um debate que, parece, estava bem além de seus universos imaginativos.
Ao fim do módulo, qual não foi minha sétima e última surpresa ao receber um e-mail da professora afirmando que eu era um aluno que todo professor gostaria de ter, que há muito tempo não havia sido tão provocada (no bom sentido do termo) e que todo aquele debate havia sido de grande valia para ela.
Se, no fim das contas, fiquei feliz por ter a minha honra lavada, é muito maior a tristeza por ter agora a certeza, pela experiência própria, que a educação brasileira está em ruínas.
sábado, 30 de abril de 2011
O sapinho surdo*
Posted by Fabio Blanco on 18:32
Todas as pessoas são convocadas a participar da corrida da vida, que promete grandes prêmios para aqueles que chegarem ao objetivo proposto. No entanto, quantos se dispõem a correr? A grande maioria se contenta em manter-se na naturalidade básica de seu ser, como meros observadores da corrida que os outros empreendem.
domingo, 17 de abril de 2011
Nenhum compromisso com a mediocridade
Posted by Fabio Blanco on 23:56
Não tenho nenhum compromisso com a mediocridade. A simplicidade, muitas vezes, é apenas a desculpa do preguiçoso. Porém, alguém que tenta fazer as coisas de maneira um tanto mais requintada é sujeito à inveja, pois os que não se dispõem a fazer querem o mesmo louvor.
quinta-feira, 7 de abril de 2011
Os erros de Hermes Fernandes do Genizah na sua defesa dos homossexuais
Posted by Fabio Blanco on 16:56
No site Genizah, Hermes Fernandes escreveu um artigo criticando os cristãos que se colocam frontalmente contra o homossexualismo, chegando a citar um eventual cristão, conhecido dele, que teria afirmado que os homossexuais deveriam morrer e coisas do tipo. Naquele artigo, o pastor afirma, categoricamente, que os que ele chama de puritanos têm os homossexuais como inimigos públicos, e que acreditariam que Jesus, se fosse hoje, não protegeria aquela mulher adúltera que estava para ser apedrejada pelos fariseus.
Bom, todas conclusões tiradas de sua fértil imaginação, já que eivadas de erros de análise; senão vejamos:
1º - Inocentemente, ele confunde crítica à agenda homossexual com ataques contra o homossexual. São coisas completamente diferentes. Os movimentos homossexuais têm um programa de inserção de suas ideias e cultura próprias na sociedade, o que vem sendo implantado há muito tempo. Por meio de filmes, novelas e até do jornalismo, há uma tentativa de fazer com que a sociedade realmente aceite seu modo de vida como algo absolutamente normal, como se esse estilo de conduta não causasse qualquer dano às pessoas e à comunidade. O que muitos cristãos têm feito é apontar o perigo dessa inversão de valores, mostrando os prejuízos físicos, psíquicos e morais que ela acarreta.
2º - Ele ironiza com o alerta dados pelos cristãos sobre o que têm chamado de "ditadura homossexual" - isso se referindo a já tão falada PL 122. Ocorre que qualquer conhecedor elementar do Direito sabe que a Lei, como ela está redigida, cria uma mordaça, impedindo, a partir dela, qualquer referência mais contundente contra a forma de vida homossexual. Se isso não é ditadura, é o quê?
3º - Por ignorância ou deliberadamente, ele reproduz os dados de assassinatos de homossexuais ocorridos ultimamente. Apenas não leva em conta que esses dados são levantados pelos próprios movimentos homossexuais e que são números completamente inchados, pois não consideram o motivo dos crimes, mas apenas as mortes. Ora, se um homossexual morre ele entra para as estatísticas de crimes homofóbicos, ainda que ele tenha morrido por outra causa qualquer. Sem levar em consideração que muitos são mortos pelos próprios parceiros sexuais, o que caracterizaria uma homofobia gay, o que é um absurdo! Portanto, quando ele fala que "a cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil por conta de sua opção sexual" ele mente, consciente ou inconscientemente, mas mente.
4º - Ele dá a entender, ainda, que há uma pregação de ódio contra os homossexuais. No entanto, apenas cita um conhecido seu que tenha falado alguma coisa mais contundente contra eles, ainda assim, pelo que parece, em uma conversa bem irresponsável. Ele não cita, nem poderia citar, nenhum líder cristão, ou pensador cristão, que pregue ou incite ódio contra os homossexuais. Isso é uma irresponsabilidade! Acusação de ódio é coisa muito séria! Falar e não provar merecia um belo de um processo criminal. E não é só ele, mas muitos outros defensores da agenda homossexual fazem isso e ficam impunes.
Eu não sei, e nem me interessa, qual é a motivação de Hermes Fernandes para escrever esse texto. Porém, se não for uma deliberada vontade de favorecer a já bem adiantada agenda gay, ele está servindo como um bom idiota útil para ela.
terça-feira, 5 de abril de 2011
Não consigo me indignar com a Teologia da Prosperidade
Posted by Fabio Blanco on 13:24
Sinceramente, não consigo me indignar contra os pastores da chamada Teologia da Prosperidade. Não porque eu acredite que o que eles fazem é certo, ou ache seus objetivos justos. Nada disso! Apenas tenho a convicção de que eles não roubam ninguém. Eles não colocam a mão na carteira de ninguém. Nem mesmo escondem suas próprias identidades, mas, pelo contrário, estão com seus rostos e nomes bem estampados por aí.
Não consigo me indignar porque do lado de cá do púlpito há uma legião de pessoas que está entregando seus bens e dinheiro na esperança de ter um retorno multiplicado do "investimento". Se são otários, não é porque colocam suas posses na mão de líderes ferozes, mas porque acreditam, sinceramente, que Deus vai retribuir-lhes em muito maior quantidade.
Na verdade, não são manipulados pelos pastores, são manipulados pelos seus próprios desejos e ambições. Os pastores são apenas a desculpa, inconsciente, para eles apostarem na sorte, como apostariam na loteria federal ou em uma casa de bingo.
O brasileiro tem o péssimo costume de acreditar que o povo é um pobre coitado, massa de manobra das elites (antes capitalistas) agora religiosas. Besteira! O povo faz aquilo que deseja e acredita no que quer. Bons líderes existem, pregadores justos existem, a Palavra verdadeira é pregada em muitos templos, mas o que boa parte das pessoas quer é a facilidade, o ganho fácil, o retorno.
O problema do brasileiro não é ser bobo, é ser esperto demais. Claro que toda esperteza aguda se transforma, automaticamente, em estupidez. Mas é isso mesmo. Ele quer levar vantagem, ele quer ganhar sem suar, ele quer que Deus lhe entregue a multiplicação de sua confiança.
Os líderes da prosperidade? Apenas descobriram que há clientes para o seu ramo de negócios.
Posted in Observatório cristão
quinta-feira, 31 de março de 2011
Porque sou contra a Teologia da Libertação
Posted by Fabio Blanco on 18:23
Algumas pessoas não entendem porque me debato contra a Teologia da Libertação e seus adeptos mais modernos. Acham que é apenas por uma questão ideológica e política e, por isso, tendem a interpretar minhas opiniões como se fossem apenas uma expressão política conservadora contra o progressismo dos outros.
No entanto, apesar de haver uma real discordância política de minha parte (mesmo eu não possuindo qualquer ideologia e não sendo adepto de qualquer vertente política definida), a principal razão de minha objeção é muito mais profunda e muito mais teológica.
Posso resumir da seguinte maneira:
Em nenhum momento os evangelhos ou as epístolas indicam que devemos fazer algum esforço para mudar o mundo, no sentido de criar revoluções e impor nossas ideias de sociedade perfeita sobre as outras pessoas. O que eu aprendo do Novo Testamento bíblico é que, ressurretos em Cristo, somos novas criaturas, que têm ainda, de maneira acidental, o mundo carnal como algo a ser suportado, com todas as suas mazelas e tribulações. Como seres espirituais, o que nos importa, agora, são as coisas do espírito, sabendo que as coisas da carne ainda nos acompanham até que a redenção venha por completo.
Por isso, não quero mudar o mundo, pois sei que um reino messiânico será imposto a todos, não conquistado pelos homens. Também sei que todas as tentativas de impor um mundo melhor, por parte dos homens, acabaram em tragédias e genocídios.
Isso não é escapismo, porque essa bendita esperança não me exime de todas as responsabilidades de amor, trabalho e testemunho que tenho nesta vida. Porém, isso não me faz ser apegado a ela, já que não pertenço mais a ela, desde que me foi dada uma nova natureza em Cristo Jesus.
Isso bate de frente com que homens como Leonardo Boff e Frei Beto acreditam. E também Ricardo Gondim e Ed René Kivitz (para citar ainda dois baluartes da teologia protestante brasileira mais atual).
Eles crêem, sinceramente, que este mundo precisa ser transformado pela força humana, que nós cristãos somos responsáveis por isso e que o amor pelo temporal tem tanto ou mais importância do que o amor pelo eterno.
Bom, cada um ama o que acredita ser o mais importante. Eu, no entanto, ainda coloco toda a minha fé no incorruptível, pois sei que dele não me surgirão frustrações.
Posted in Observatório cristão
terça-feira, 29 de março de 2011
A naturalidade do triunfo da verdade
Posted by Fabio Blanco on 20:23
A história da relação de Deus com o mundo não é a história da luta entre o bem o mal. Erram aqueles que acreditam que há uma batalha e que Deus, pelo fato de ser mais forte que Satanás, vencerá no final.
Posted in Teologia
sábado, 26 de março de 2011
Humano, não mundano
Posted by Fabio Blanco on 12:01
A despeito do post anterior, diferente de muitos pensadores moderninhos, eu não sou alguém que fica exaltando a imperfeição como algo bonito, algo que nos torna mais "humanos" ou algo que nos faz mais sensíveis. Isso é besteira. Imperfeições são imperfeições e a perfeição sempre é melhor do que a imperfeição.
Há alguns pregadores que exaltam tanto a imperfeição humana que parece que buscar ser melhor, mais puro, mais santo é o verdadeiro pecado. Parece que interpretam as palavras da Bíblia como aqueles homens da igreja primitiva que diziam que deveriam pecar bastante para que a graça de Deus superabundasse sobre eles.
No entanto, Paulo mesmo os corrigiu. Hoje, portanto, esse negócio de exaltar a falibilidade e a imperfeição humanas é simplesmente mundanizar a igreja sob a desculpa de um amor divino.
A limitação humana não é para ser exaltada, é para ser compreendida. Ela também não deve servir como desculpa para os erros, mas explica-os.
Então, deve resignar-se, o cristão, com seus pecados? De maneira alguma! A conformidade com o curso deste mundo não é o ideal do cristão. O que ele deve empreender é uma busca por mais santidade, sim, por menos pecado, sim, por mais pureza, sim. No entanto, deve fazer isso consciente de sua estrutura humana, de sua falibilidade. Assim, empreenderá essa caminhada, não mais crendo que, com suas próprias forças, poderá atingir níveis de conduta irreprensíveis; mas, sim, com a direção do Espírito Santo, crescerá como quem está sendo transformado para se tornar cada vez mais parecido com Cristo.
E a perfeição? É o norte, o objetivo inalcançável, porém que atrai cada vez mais para o que é melhor, tornando o imperfeito cada vez melhor.
sexta-feira, 25 de março de 2011
Consciência da limitação
Posted by Fabio Blanco on 11:35
Percebo, em muitos novos convertidos, uma ansiedade manifesta. Eles acreditam e esperam que um dia poderão atingir um nível tal de espiritualidade que viverão como que à parte dos problemas deste mundo. Crêem que a evolução de suas vidas religiosas terá o poder de arrancá-los das perturbações desta vida e elevá-los a um nível praticamente estóico de existência.
No entanto, infelizmente, essa não é a realidade.
Além de considerar a própria declaração de Cristo, que nada mais era do que uma constatação, de que no mundo teríamos aflições, há algo que também não podemos ignorar: nossa estrutura limitada é a própria causadora de tudo isso. Independente dos poderes angélicos que atuem nos domínios deste mundo, o próprio homem, em sua disposição natural, já enfrenta as tensões não apenas psicológicas, mas inclusive físicas. São impossibilidades, parcialidades, oposições que, por causa da limitação natural, estão impregnadas em sua existência.
Por isso, é necessário ter consciência de que haverá sempre levantes externos contra a nossa sanidade, contra o nosso equilíbrio. Os fatores alienantes também estarão sempre presentes e todo passo para a perfeição é apenas um reconhecimento mais profundo de nossa imperfeição.
Mesmo que fossemos ermitões, sobrariam ainda os próprios conflitos internos, naturais e irrenunciáveis.
Portanto, sábio é ser consciente da estrutura humana, lidando com os fatores opositores não como inimigos externos, mas como caminhos naturais que precisam ser ultrapassados - sempre com muito cuidado.
quinta-feira, 24 de março de 2011
Mais do que imagina a vã teologia
Posted by Fabio Blanco on 19:42
Basta ocorrer um desastre natural, como esse de proporções grandes que ocorreu no Japão, para, neste mundo interconectado, iniciarem-se as velhas e mesmas discussões. De um lado, os que defendem o controle absoluto de um Deus que determina até os mínimos detalhes da ação humana, de quem nada escapa e que é, no fim, o responsável final por todas as coisas; de outro lado, um Deus impotente, que, por não ter qualquer controle sobre a história do mundo, se surpreende e até chora com as mazelas da humanidade.
Ora, para mim, sem querer parecer arrogante, como quem se coloca acima dos litígios, tudo isso me apresenta como uma discussão bastante pueril. Fica mais ou menos claro que ambos os lados se apegam a extremos de compreensão que não permitem qualquer tipo de maleabilidade para a atuação divina. Não são apenas os cristãos deterministas que encaixotam Deus, os teístas abertos também. Se aqueles não permitem a Deus qualquer forma de atuação espontânea, fora dos preceitos pré-determinados teologicamente, estes aprisionam a divindade em uma liberdade sufocante, pois se Deus não possui o controle das coisas, é, Ele mesmo, um prisioneiro do destino.
O que eles não percebem é que entre o Deus do controle absoluto e o que chora impotente há muito mais coisas do que imaginam suas vãs teologias.
Ainda vou preparar um texto mais detalhado sobre esse assunto, mas, por ora, já é o suficiente.
quarta-feira, 23 de março de 2011
Ponha-se no seu lugar
Posted by Fabio Blanco on 13:54
Ao falar sobre consciência em minha última aula, uma aluna parece ter dado a melhor explicação sobre o que é realmente consciência - explicação melhor do que eu mesmo pude oferecer. Disse ela que entendeu o que era quando ouviu, pela primeira vez, alguém dizendo: "Ponha-se em seu lugar!". Isso porque ela sabia exatamente qual era o lugar dela.
Procurando uma boa definição sobre consciência, esse exemplo talvez seja a melhor ilustração possível. Se ela é a percepção do ser e a identificação do eu, nada melhor do que saber-se quem é e onde está (ou onde deve ficar).
terça-feira, 22 de março de 2011
Definição de consciência
Posted by Fabio Blanco on 21:25
Apenas percebi a dificuldade de conceituar consciência quando tentei fazer isso na minha última aula do curso de Teologia do NEC. Eu sei o que é consciência, mas explicar não é fácil, não. Fui então buscar em alguns livros e percebi que essa dificuldade é geral. Entendo consciência como a percepção dos dados imediatos, de si, do eu, da diferença, das relações; é a identificação da existência individual. Bom, é o que eu consegui dizer, mas será esta explicação satisfatória? Vou procurar mais e espero poder encontrar uma boa definição.
quinta-feira, 17 de março de 2011
O verdadeiro conservadorismo
Posted by Fabio Blanco on 16:58
"O verdadeiro conservadorismo é o progresso que provém do passado e cumpre o que é bom; o falso conservadorismo é uma limitadora e desesperançada volta ao passado, e que trai a promessa do futuro"
Newman Smith, Christian Ethics
quinta-feira, 10 de março de 2011
O vácuo
Posted by Fabio Blanco on 20:11
Não existe ninguém que não sinta, de vez em quando, a sensação do vazio, da distância, do abandono. Isso porque não somos o tudo, e entre nós e Deus há uma certa separação. Se fôssemos o tudo seríamos Deus, se estivéssemos inseridos totalmente no todo, Deus seria a própria natureza, o que rejeitamos totalmente.
Esse vazio, perceba, é o teu impulso, o teu motor. Como buscar a Deus se já estivéssemos plenamente nEle? Se O buscamos é porque há, sim, alguma separação e, entendo, eternamente haverá. Seremos, sempre, suas criaturas, feitas por um ato inicial seu, que carregam, sim, efeitos diretos de Seu ser. No entanto, jamais seremos Ele, e sempre necessitaremos dEle.
Ora, se há uma necessidade eterna, há, também, uma dependência eterna. E se há ambas há, obviamente, uma eterna separação. Homem algum, de época alguma, pôde se inserir completamente em Deus. Por mais santo, mais puro, mais fiel que seja, sempre haverá um vácuo, um vazio, uma distância.
Bendita separação! É ela que mantém nossos olhos no Pai. Por ela, percebemos que o abismo se encontra logo ali, entre nós e Deus. Não, o inferno não está lá atrás; está, sim, bem ali na frente. E todos caminham em sua direção. O mais irônico disso tudo, é que, de uma maneira ou de outra, esse inferno muitos encontram em seus caminhos em direção a Deus.
O inferno se encontra no fundo de um vale, cercado de um lado pelos homens e de outro pelo paraíso. Os que nele caem, normalmente seguiam para o lar de Deus, mas se depararam com um abismo sem ponte. Largo abismo, e gigante!
Quantos não tentam se achegar a Deus por suas próprias forças. Porém como, se não podem suplantar a distância? Há diversos homens que acreditam em seus caminhos, sua fé, suas religiões, acreditam que podem vencer o espaço que os separa de Deus, mas terminam por descer mesmo ao abismo.
Isso porque nada pode ser ponte entre nós e Deus. Absolutamente nada! Todas as coisas que existem têm uma limitação intrínseca e não chegam sequer a tangenciar Deus. Onde terminam sua existências não começa a de Deus, mas, sim, o vazio. Deus, às vezes, está logo ali, mas jamais junto. Isso ocorre porque a criatura se estivesse ainda que tangenciando Deus, de alguma maneira se tornaria Ele, o que é impossível.
Há uma distância, irrevogável distância.
Tristes dos homens que não percebem isso. Sofrem por uma plenitude inalcançável, por uma pureza impossível, por uma unidade com o divino inconcebível. São infelizes porque buscam o salto, o encontro com Deus por meio de um lanço. São petulantes, crendo poder ser um com Deus, sem escalas, sem mediadores, esforçando-se inutilmente por isso.
Entendem então porque Cristo? Ele é a ponte, Ele a ligação possível; e somente Ele.
Ainda há alguma dúvida sobre sua divindade? Pensem: Jesus Cristo é Deus, sim; pois apenas Deus pode ligar-nos a Deus. Todas as outras coisas e pessoas são incapazes disso, intrinsecamente incapazes. Por suas estruturas naturais, estão eternamente separadas do Deus Eterno, não podendo preencher o vácuo, a distância.
Dizem que Cristo morreu em nosso lugar, porque não havia homem algum sem pecado. Não creio nisso. Ainda que houvesse homem sem pecado, não teria este o poder de fazer-nos juntos a Deus. Ainda que puro, seria limitado, naturalmente limitado.
Mas Cristo é Deus. Preencheu a distância sendo homem, possibilitou o encontro sendo Deus. Se fosse apenas homem, o vácuo permaneceria; se fosse apenas Deus não faria a ponte, o contato.
Jesus é a linha que permite o homem tanger Deus. Tênue e maravilhosa linha, que mantém homem e Deus eternamente juntos.
Esse vazio, perceba, é o teu impulso, o teu motor. Como buscar a Deus se já estivéssemos plenamente nEle? Se O buscamos é porque há, sim, alguma separação e, entendo, eternamente haverá. Seremos, sempre, suas criaturas, feitas por um ato inicial seu, que carregam, sim, efeitos diretos de Seu ser. No entanto, jamais seremos Ele, e sempre necessitaremos dEle.
Ora, se há uma necessidade eterna, há, também, uma dependência eterna. E se há ambas há, obviamente, uma eterna separação. Homem algum, de época alguma, pôde se inserir completamente em Deus. Por mais santo, mais puro, mais fiel que seja, sempre haverá um vácuo, um vazio, uma distância.
Bendita separação! É ela que mantém nossos olhos no Pai. Por ela, percebemos que o abismo se encontra logo ali, entre nós e Deus. Não, o inferno não está lá atrás; está, sim, bem ali na frente. E todos caminham em sua direção. O mais irônico disso tudo, é que, de uma maneira ou de outra, esse inferno muitos encontram em seus caminhos em direção a Deus.
O inferno se encontra no fundo de um vale, cercado de um lado pelos homens e de outro pelo paraíso. Os que nele caem, normalmente seguiam para o lar de Deus, mas se depararam com um abismo sem ponte. Largo abismo, e gigante!
Quantos não tentam se achegar a Deus por suas próprias forças. Porém como, se não podem suplantar a distância? Há diversos homens que acreditam em seus caminhos, sua fé, suas religiões, acreditam que podem vencer o espaço que os separa de Deus, mas terminam por descer mesmo ao abismo.
Isso porque nada pode ser ponte entre nós e Deus. Absolutamente nada! Todas as coisas que existem têm uma limitação intrínseca e não chegam sequer a tangenciar Deus. Onde terminam sua existências não começa a de Deus, mas, sim, o vazio. Deus, às vezes, está logo ali, mas jamais junto. Isso ocorre porque a criatura se estivesse ainda que tangenciando Deus, de alguma maneira se tornaria Ele, o que é impossível.
Há uma distância, irrevogável distância.
Tristes dos homens que não percebem isso. Sofrem por uma plenitude inalcançável, por uma pureza impossível, por uma unidade com o divino inconcebível. São infelizes porque buscam o salto, o encontro com Deus por meio de um lanço. São petulantes, crendo poder ser um com Deus, sem escalas, sem mediadores, esforçando-se inutilmente por isso.
Entendem então porque Cristo? Ele é a ponte, Ele a ligação possível; e somente Ele.
Ainda há alguma dúvida sobre sua divindade? Pensem: Jesus Cristo é Deus, sim; pois apenas Deus pode ligar-nos a Deus. Todas as outras coisas e pessoas são incapazes disso, intrinsecamente incapazes. Por suas estruturas naturais, estão eternamente separadas do Deus Eterno, não podendo preencher o vácuo, a distância.
Dizem que Cristo morreu em nosso lugar, porque não havia homem algum sem pecado. Não creio nisso. Ainda que houvesse homem sem pecado, não teria este o poder de fazer-nos juntos a Deus. Ainda que puro, seria limitado, naturalmente limitado.
Mas Cristo é Deus. Preencheu a distância sendo homem, possibilitou o encontro sendo Deus. Se fosse apenas homem, o vácuo permaneceria; se fosse apenas Deus não faria a ponte, o contato.
Jesus é a linha que permite o homem tanger Deus. Tênue e maravilhosa linha, que mantém homem e Deus eternamente juntos.
Posted in Mística
terça-feira, 8 de fevereiro de 2011
Teólogo, o intérprete da Revelação
Posted by Fabio Blanco on 16:57
Há, tradicionalmente, diversas maneiras de estudar Teologia. Existem os estudos mais doutrinários, aqueles mais sistemáticos, há ainda a Teologia histórica e tantos quantos forem os teólogos, uma nova maneira de estudar Teologia se apresentará. Sendo uma, poderíamos dizer, ciência humana, não se detém em métodos tão rígidos e inflexíveis.
Por isso, quando digo que tenho um jeito próprio de pensar Teologia, não quero, com isso, inaugurar uma nova ciência, menos ainda inovar na doutrina bíblica. O que me disponho a fazer é, simplesmente, estudar Teologia da forma como eu entendo mais verdadeira e honesta.
Conheço diversos estudos teológicos que, a despeito de sua ortodoxia, ignoram a experiência humana ordinária. Com isso, apesar de serem irrepreensíveis em grande parte de suas investigações, apresentam alguns pontos que se tornam inconciliáveis com a realidade, como vista e experimentada pelo homem comum.
Isso sempre me incomodou, pois entendo que a Teologia não é uma ciência no sentido moderno que se dá ao termo. Ela não é uma visão fragmentada, recortando a realidade. Sendo uma ciência que investiga a revelação divina, suas conclusões buscam a conciliação entre a Palavra de Deus e a Realidade. Quando estas, aparentemente, entram em conflito, a Teologia esforça-se por achar a convergência. O que ela jamais pode aceitar é que aquele aparente conflito seja resolvido com um non sense. A resposta teológica deve ser um acordo entre a Revelação e a Realidade ou uma declaração da incompreensão em relação à primeira. O que não deve é insistir na colisão frontal, o que a desonraria tremendamente.
O pensamento teológico é mais do que a organização mental de uma revelação esparsa, mas, sim, a construção intelectual fundamentada nos dados desta revelação. É, portanto, essencial que o teólogo seja um pensador, alguém que não apenas adquire e coordena informações, mas as disseca, as desenvolve, e as interpreta. Um intérprete da revelação! Esta talvez seja a melhor definição para ele.
Sendo, então, um intérprete, seu papel é muito maior do que saber qual é a revelação. É, sim, compreendê-la, entendendo a que ela se refere, onde ela se encaixa na complexidade da realidade e até onde ela estende seus efeitos.
Não é tarefa simples, nem, como escreveu Gregório de Nazianzo, "se trata de empresa fácil, nem própria a quem se arrasta pelo chão". O teólogo carrega sobre seus ombros a dupla responsabilidade de ser fiel à Revelação de Deus e à realidade conhecida. Se fere a primeira torna-se um herege, se ignora a segunda, um tolo.
Portanto, a decisão pela Teologia não pode se dar apenas pelo desejo de conhecer, mas deve ser acrescentada pela consciência do esforço meditativo necessário para se alcançar as respostas às questões levantadas por essa nobre ciência.
domingo, 16 de janeiro de 2011
A dificuldade da comunicação
Posted by Fabio Blanco on 16:08
Há um grande abismo de comunicação entre as pessoas. Por isso, eu sempre recomendo, aos meus amigos, que não se atenham ao que a outra pessoa disse, mas tente captar o que ela quis dizer.
Parece claro que a maioria dos problemas surge de uma má compreensão do que o outro quis dizer, o que significa, muitas vezes, uma perfeita compreensão do que ele disse.
Por exemplo, outro dia um amigo disse para outro amigo que sua relação com um terceiro amigo estava destruída. Palavras fortes, mas para quem conhecia o problema sabia que ela não estava destruída, mas apenas suspensa ou interrompida. Há uma grande diferença entre esses termos, e quem ouviu acreditou que havia ocorrido uma grande ruptura entre os dois, quando eles apenas haviam deixado de se falar, sem um motivo específico.
Outro caso foi de um colega que disse para minha esposa que contratava os seus serviços para lhe ajudar, dando a impressão que sua atitude era apenas filantropia. Eu, que acompanhava tudo, percebi que ele queria dizer que contratava minha esposa por confiança não apenas em seu trabalho, mas em seu caráter, e que ajudar significava, naquela conversa, o próprio ato de contratar por confiança, sem preocupação específica da qualidade de seus serviços, os quais ainda não havia sido demonstrada. É claro que minha esposa não gostou do que ouviu, porém, depois de conversarmos, ela percebeu que a intenção do colega não foi tão agressiva quanto parecia.
Se prestarmos atenção, testemunharemos, a todo instante, casos como esses. Com efeito, tudo isso ocorre porque o universo imaginativo anda restritíssimo, e junto com ele o vocabulário tem estado esmagado entre as paredes do mundinho medíocre de cada um. Por causa disso, quando o sujeito tenta se expressar, não raramente lança mão de palavras que, tomadas em seu sentido correto, não possuem o significado correspondente à sua intenção.
A consequência é que a pessoa fala algo que não quis falar, desejando expressar algo diverso. O receptor ouve a mensagem já distorcida e, muitas vezes, lhe dá um terceiro significado. O que resta, portanto, é a confusão.
Minha solução tem sido amenizar ao máximo o significado das palavras alheias, mesmo quando parecem absurdamente agressivas. Isso porque tenho percebido que aparentes agressões verbais têm sido emitidas com intenções bem menos violentas. No que depender de mim, busco ter paz com todos!
Infelizmente, esse é o fruto de um país mal educado, de pessoas sem instrução básica, que tentam se comunicar e apenas conseguem fazer isso com muito esforço e muitos defeitos.
Além do mais, para perceber tais desvios, é necessário estar acima do nível lamentável da educação brasileira geral. Para estes, que já escaparam da elementaridade, resta, portanto, muita paciência e uma boa capacidade de interpretação.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
Apenas uma satisfação
Posted by Fabio Blanco on 01:33
Passo aqui apenas para dar uma satisfação aos leitores que regularmente visitam este blog e há exatamente um mês não encontram nada de novo escrito.
Acontece que estou de mudança, movendo meu escritório do Centro da cidade para uma área mais nobre, preparando a inauguração de um sonho antigo: o NEC - Núcleo de Estudos Cristãos.
São tantas providências, tantas obras e tantos gastos!
Mas está quase tudo pronto e logo volto para dar mais detalhes.
Até mais.
Fabio Blanco
Acontece que estou de mudança, movendo meu escritório do Centro da cidade para uma área mais nobre, preparando a inauguração de um sonho antigo: o NEC - Núcleo de Estudos Cristãos.
São tantas providências, tantas obras e tantos gastos!
Mas está quase tudo pronto e logo volto para dar mais detalhes.
Até mais.
Fabio Blanco
domingo, 12 de dezembro de 2010
Aconselhamento para Novos Teólogos
Posted by Fabio Blanco on 01:46
Estudar Teologia não é um passatempo, mas uma vocação. Quem imerge nesse universo carrega então uma responsabilidade que deve ser respeitada e honrada.
Há muitos estudantes de Teologia que ingressam nos cursos sem a bagagem intelectual, psicológica e material necessárias para isso. Se defrontam com um universo muito maior do que a amplitude de suas estreitas visões pode abarcar, causando a transmutação dos conceitos e fórmulas aprendidos para dentro de seus universos limitados.
O resultado disso é a proliferação de pseudo-teólogos, linguarudos e altivos, que mesmo após anos de estudos, não são capazes de desenvolver pensamentos triviais sobre a doutrina sagrada.
O pior é que ao invés de ampliarem seus mundos a fim de alcançarem a ciência, usurpam-na sujeitando-a aos seus mundinhos, forçando para que a infinitude seja enxertada na pequenez. Com isso, numa atitude antisocrática, ao invés de tomarem consciência da ignorância, ao se depararem com a amplitude da realidade, absorvem a Teologia, adaptando-a, inconscientemente, para dentro de seu universo, olhando a parte como se fosse o todo.
Ora, se o todo é enxergável e conhecido por eles, então são eles os próprios senhores da verdade. Se tudo eles sabem, já que nada enxergam além do que vêem, nem possuem a consciência da ignorância, a perçepção que têm de si mesmos é a de verdadeiros cultores da sabedoria.
Se tornam, portanto, enfadonhos, superficiais e ridículos. O que seria uma bela vocação, edificadora do corpo de Cristo, se transforma em entrave e escândalo.
Por isso, ao estudar Teologia, não esqueça que ela é uma ciência profunda, cujo estudo demanda não apenas dedicação direta e exclusiva, mas ampliação da cultura literária, do universo imaginativo e do vocabulário. Sem esses três elementos, o que haverá é a distorção dos conceitos, tornando o que seria uma bênção em mais um obstáculo à verdadeira espiritualidade.
Fabio Blanco
Posted in Teologia
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
Complemento aos artigos sobre a autoridade do Estado publicados por Julio Severo
Posted by Fabio Blanco on 19:36
Talvez alguns cristãos fiquem escandalizados com artigos como estes, chamados "Estado: ministro de Deus"e "A Pena Capital é Bíblica?", ambos publicados no site do Julio Severo, ambos escritos pelo Pr. Marcello Oliveira. Isso porque eles não conseguem compreender como cristãos podem de alguma maneira ser favoráveis à aplicação da pena de morte pelo Estado.
Posted in Política e sociedade
segunda-feira, 8 de novembro de 2010
Nossos governantes são o fruto do nosso pecado
Posted by Fabio Blanco on 18:55
...tudo o que o homem semear, isso também ceifará (Gl 6.7). Tal regra não se aplica apenas aos indivíduos, mas, com toda certeza, aos povos. Se ficamos atordoados com mais uma vitória de um partido como o PT, e se já estávamos atordoados antes, quando nossas possibilidades de escolha não iam muito além dos socialistas fabianos do PSDB, isso não foi por pura obra do acaso.
Posted in Política e sociedade
sábado, 6 de novembro de 2010
Ignorância é pecado
Posted by Fabio Blanco on 16:13
Ignorância é pecado, não tenho dúvida disso. Basta entender que o que distingue os homens dos outros animais é, exatamente, a razão. Nela, o homem se assemelha a Deus. Então, abandoná-la, ou melhor, não alimentá-la, é desprezo da única parte realmente valorosa do ser humano.
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Sacrifício Vivo (Culto Racional)
Posted by Fabio Blanco on 13:22
“Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”
(Romanos 12.1)
O sangue e a morte eram os componentes reais do sacrifício praticado no Velho Testamento. Por eles, através da entrega do corpo do animal a ser abatido, era concedido o perdão divino. Tudo, no entanto, era figura do sacrifício definitivo, oferecido pelo próprio Cristo. Ele, que entregue e morto, derramou seu sangue, e agora de maneira definitiva, para o perdão dos pecados dos homens. Não há mais, portanto, necessidade de qualquer sacrifício de morte, pois o de Jesus Cristo foi perfeito e perpétuo. Então, quando Paulo faz a analogia, exortando pela oferta dos próprios corpos como sacrifícios vivos, ele o faz com referência não ao sangue, nem à morte, mas aos outros componentes compreendidos no ato de sacrificar.
O sacrifício no Velho Testamento compreendia a entrega de um animal sem defeitos para ser abatido diante do altar do Senhor. Lançando mão desse conhecimento, o apóstolo conclama o povo cristão a, como se fazia com animais, que eles se façam a si próprios: entreguem-se plenamente ao Senhor de suas almas. A analogia, portanto, é perfeita. Retirando os componentes de sangue e de morte, restam a entrega total, a sujeição plena e a resignação. Como cordeiros, Paulo anima os cristãos a oferecerem a si mesmos como sacrifício, alienando-se totalmente diante de Deus, submetendo-se completamente à Sua vontade, aceitando plenamente o destino traçado por Ele. Não cabe ao sacrifício discutir os altos desígnios de Deus, mas, obediente e submisso, deitar-se no altar eterno, deixando com que o fogo do Senhor o consuma e o purifique.
O que se pede, à maneira dos antigos sacrifícios, é que ele seja santo e agradável. Separados deste mundo, separados para Cristo, esta é a santidade requerida. Como Jesus mesmo disse, não somos este mundo e não temos parte com ele1. Portanto, a separação é requisito essencial do sacrifício moderno. Apenas assim, na verdade, tornar-se-á agradável, pois é a separação que o torna puro, pois passa pela justificação de Cristo. É agradável porque é da maneira como Deus espera.
A exortação de Paulo é séria e a analogia perfeita. Quem deseja ser cristão e agradar a Deus não pode se contentar em servi-Lo desleixadamente, entregar as sobras e não as primícias ou não oferecer o que tem de melhor em si. Não se deve oferecer pão imundo, animal cego, coxo ou enfermo, pois Deus não aceitará a oferta das mão de quem assim procede2. Sim, precisamos ser puros na intenção e sem defeitos no juízo. Apenas assim agradaremos ao Senhor.
O culto, ou seja, a oferta, o louvor, a dedicação devem ser realmente compreendidas como um ato ofertório consciente. O chamado culto racional, o logiken latreian (λογικην λατρειαν), nada mais é do que a oferta consciente da própria vida no altar de Deus. É consciente porque se dá pela compreensão de quem é Jesus Cristo e qual o seu papel na economia salvífica do Evangelho. É racional porque não se dá por meio de um salto gnóstico, pelo qual a verdade se descortina como em mágica, mas, sim, através da conscientização progressiva de nossa posição diante de Deus, compreendida, principalmente, na revelação de Jesus Cristo.
Sacrifício vivo, enfim, é o homem que, conscientemente e sem reservas, se dispõe a ser devorado pelo fogo salvador do céu.
1João 17.14
2Malaquias 1.7-10
Posted in Teologia
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
Todo pecado é idolatria
Posted by Fabio Blanco on 19:31
No Velho Testamento há um tensão constante entre a fidelidade do povo ao Deus único, o Senhor Jeová, e os deuses existentes na cultura dos outros povos. Não poucas vezes os próprios judeus decaiam para a idolatria, ou seja, o culto daqueles ídolos. Em vários momentos, os profetas alertam para a fúria do Senhor Jeová, que recrimina o seu próprio povo por agir com infidelidade, adorando ídolos estrangeiros.
Mas quem são esses ídolos? Na verdade, ninguém, pois sabemos que o ídolo nada é no mundo1. Portanto, o que Deus desaprova não tem nada a ver com uma disputa com deuses menores, mas, sim, recrimina a intenção infiel do povo. Ao cultuar outros deuses, ainda que apenas criações culturais e religiosas, o homem substitui Deus, com todos os seus preceitos e determinações, por práticas estrangeiras que nada tinham em comum com o zelo do Deus de Israel. Ao fazerem isso, o verdadeiro Deus é rejeitado, pois não é possível dividir sua glória com qualquer outro ser. Sua glória, Deus não dá a outro, nem permite que seu louvor seja dado a imagens de escultura2.
Nós, homens de um tempo que não mais crê na existência de deuses, como criam os antigos, longe de acharmos que, por isto, estamos isentos do pecado da idolatria, devemos prestar atenção no que consiste, realmente, esse pecado. Não existe a idolatria putativa3, isso porque o pecado de idolatria se efetua na intenção do agente e não na realidade do deus menor. Idólatra é aquele que, ao invés de dar a glória ao único Deus verdadeiro, a outro a dá, ou a algum objeto.
Na verdade, o cerne da idolatria é o servir a deuses estranhos4. Cometer o pecado da idolatria é deixar de servir a Deus, o único Senhor verdadeiro, para servir a outros senhores. Ora, Jesus Cristo mesmo disse que ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom (riquezas)5. Sendo assim, não há como entender de outra forma: sempre que servimos a algum outro ou a alguma outra coisa, além de Deus, estamos cometendo idolatria.
Independentemente de servir a um ídolo propriamente dito (um santo, uma entidade, um espírito), o qual se imagina exista e pode atuar no mundo ou servir alguma outra coisa qualquer, ainda que saiba inexistente ou inanimada, quem assim fizer estará incorrendo no pecado da idolatria. Porque cometer idolatria é, simplesmente, ter algo como seu senhor antes de Deus. Se algo tem e proeminência na vida de uma pessoa, e ela serve a isso com mais dedicação do que a Deus, certo é que o que ela faz pode ser considerada uma atitude idólatra.
Deus é o único senhor na vida de um cristão. Todas as outras coisas, se praticadas, usadas, usufruídas, devem assim ser sob a condição de nos fazerem servir a esse único Senhor. Não é possível, como o próprio Jesus afirma, nem mesmo tentar dividir a prestação do serviço, ainda que se imagine que está servindo a Deus mais que aos outros. Isso não existe! Só deve haver um senhor! Falando de uma maneira bem direta: quem tentar servir a Deus e alguma outra coisa ao mesmo tempo fará tudo bem mal e porcamente.
Mas falando assim, para quem não entende a profundidade do cristianismo, talvez pareça um exagero. Afinal, precisamos viver, ter experiências, nos divertir. É bem possível, pensam, ser um bom servo de Deus e continuar vivendo normalmente, com cada área de sua vida cuidada de uma maneira especial: a Deus o que é de Deus, ao trabalho o que é do trabalho, ao casamento o que é do casamento, aos filhos o que é dos filhos.
Acontece que tal pensamento não tem fundamento, pois baseado em premissas falsas. Quem assim pensa acredita que cada área da vida de uma pessoa é parte fragmentada, que pode ser cuidada separadamente, sendo em nada afetada pelas outras partes existentes. Não entende que somos apenas um só, seres individuais, não fragmentários, que devem sua existência a um outro ser, este porém Supremo. Sendo individuais, unos, não há como separar a vida em estanques apartados, pois, de qualquer maneira, devemos tudo ao mesmo Ser Eterno, e a Ele damos conta de todas as coisas. Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez6. Se tudo é por Ele e para Ele, de quem é tudo e para quem nós vivemos7, nada, absolutamente nada, nem o mais ínfimo ato, nem o pensamento guardado no mais recôndito de nossa memória, estão fora do senhorio de Cristo em nossa vida. Tudo é para Ele, para que em tudo tenha a preeminência8.
O que fazemos, para Cristo fazemos. Tudo é, de uma maneira ou de outra, uma consagração a Deus. Por isso, nada tem a preferência antes do Senhor. Há um só Deus, um só Senhor9, apenas um a quem se deve servir. Todas as outras coisas confluem para Ele, direta ou indiretamente. Se alguma coisa há, em nossa vida, que consideramos que Cristo está totalmente apartado, podemos ter a certeza que ali reside o pecado, que ali se configura a idolatria.
Considerando, portanto, que pecar é não fazer a vontade de Deus, e isso significa não servi-lo, mas a outro, podemos afirmar, sim, que todo pecado é idolatria. Então, todas as vezes que pecamos, devemos nos sentir alertados como o povo do Antigo Testamento, que ouvia de Deus a voz de sua ira ao vê-los agindo como adúlteros, oferecendo a outros deuses o que pertencia somente a Deus.
Sejamos gratos àquele que tudo nos concedeu, inclusive a nossa própria existência, oferecendo a Ele de volta, como servos fiéis, e não como usurpadores, o amor, a dedicação e o culto devidos. Entreguemos nossa vida, como sacrifícios vivos10, no altar de Deus, entregando-lhe não apenas uma religiosidade exterior, não apenas uma parte da nossa vida, mas todo o nosso ser em consagração a Ele. Não vivendo como idólatras, que servem a outros deuses, mas como servos piedosos, que em tudo dedicam suas próprias vidas ao louvor do Deus Eterno.
(aula para os alunos da classe de batismo)
1I Coríntios 8.4
2Isaías 42.8
3Putativo é algo atribuído a alguém de maneira falsa, ou praticado por total engano do agente que, sem saber, não tinha possibilidade alguma de cometer tal ato.
4Josué 24.20
5Mateus 6.24
6João 1.3
7I Coríntios 8.6
8Colossenses 1.18
9Efésios 4.5
10Romanos 12.1
Posted in Teologia
domingo, 24 de outubro de 2010
Free to Believe - assinatura contra a perseguição religiosa
Posted by Fabio Blanco on 22:48
Repasso essa informação, porque é de extrema importância.
Será votada, na ONU, a chamada Resolução da Difamação da religião, a qual, diferente do que pode parecer, seria um salvo-conduto para países, principalmente islâmicos, dentro de seus territórios, perseguirem pessoas de outras religiões.
Logo, escreverei um artigo sobre essa tática, que é muito parecida com outras imposições que tentam ser feitas, inclusive aqui no Brasil.
Aliás, apenas para variar um pouco, o Brasil está na lista dos países que se abstêm na votação, diferente dos países mais civilizados.
Segue o texto:
1. O que é a Resolução da Difamação da Religião?
A resolução foi apresentada e votada de várias formas e sob vários nomes desde 1999. Espera-se que ela seja votada novamente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em dezembro de 2010. A primeira campanha da Difamação da Religião realizada pela Organização da Conferência Islâmica (OIC, em inglês), teve como alvo a “Difamação do islã”, mas posteriormente, voltou a ser considerada como “Difamação da Religião” para receber apoio de vários países. Até este ano, o islamismo foi a única fé especificamente mencionada nas resoluções do Conselho dos Direitos Humanos da ONU e que foi aprovada pela Assembleia Geral. Em março de 2010, uma nova versão foi apresentada ao Conselho. Mais uma vez era referente à islamofobia, mas também incluía a menção ao anti-semitismo e cristianofobia e foi votada como lei por uma pequena maioria. Porém, proteger o islã é claramente o foco da resolução.
2. O que está errado com a Resolução da Difamação da Religião
A Resolução da Difamação da Religião busca criminalizar palavras ou ações consideradas contra uma religião em particular, nesse caso, o Islã. Embora os proponentes justifiquem que o conceito da “difamação de religiões” proteja a prática religiosa e promova a tolerância, ela, na verdade, promove a intolerância e viola a liberdade de religião e de expressão para as minorias religiosas – especialmente cristãos.
Os direitos humanos são exatamente isso – direitos pertencentes a indivíduos – mas essa resolução procura dar esses direitos a uma religião específica. Ela vai contra a lei dos direitos básicos que existem para proteger os seres humanos, não as crenças religiosas ou os sistemas.
A Resolução da Difamação da Religião tem o poder de dar legitimidade internacional para leis nacionais que punem a blasfêmia ou, por outro lado, proíbem críticas a uma religião. Por exemplo, a lei da blasfêmia em alguns países tem sido usada para justificar ações que restringem seletivamente dissidentes civis, proíbe a critica de estruturas políticas e restringe os discursos religiosos das comunidades de fé minoritárias, afasta membros de crença majoritária e pessoas de fé religiosa. Sob essas leis, acusações criminais foram impostas contra os indivíduos por difamação, insulto, ofensa, afronta e blasfêmia ao islã, que frequentemente
3. A perseguição está realmente acontecendo?
Sim!
Paquistão:
As leis de blasfêmia no Paquistão são geralmente usadas de forma abusiva pelos muçulmanos como ferramenta de vingança contra cristãos e outras minorias em disputas por terras e outras questões. Nenhuma prova é necessária para acusar alguém de blasfêmia e levar essa pessoa à prisão.
Em 3 de março, Ruqqiya Bibi e seu marido Munir Masih foram sentenciados a 25 anos de prisão sob a Seção 295-B do Código Penal paquistanês por profanar o Alcorão. Eles foram presos pela polícia de Mustafabad em dezembro de 2008 por tocar no livro sagrado do islã sem se lavar conforme o ritual. A punição por profanar o Alcorão é prisão perpétua, o que equivale a 25 anos no Paquistão.
O casal foi acusado de usar o Alcorão para magia negra, e que durante o processo, Ruqqiya tocou no livro sem passar pelo ritual de limpeza. Também foram acusados de escrever o credo do islã nas paredes de sua casa. O advogado deles disse que a acusação surgiu de uma discussão entre crianças muçulmanas e cristãs que acabou em um conflito entre seus pais.
Sudão:
Outro incidente de abuso das leis da “difamação da religião” que teve muita publicidade foi um caso ocorrido em novembro de 2007, no qual uma professora britânica foi sentenciada a 15 dias de prisão por “insultar a religião”, após ter nomeado um ursinho de pelúcia “Maomé”. O nome foi escolhido em homenagem a um aluno popular na classe chamado Muhammad.
4. O que a Portas Abertas Internacional está fazendo?
A Portas Abertas Internacional está organizando uma ação que faz parte da campanha Free to Believe para conscientizar as pessoas sobre a ameaça dessa resolução para a liberdade religiosa e para impedir que ela seja votada na Assembleia Geral das Nações Unidas.
Isso inclui:
A Portas Abertas Internacional está organizando uma petição global para coletar assinaturas em todo o mundo em apoio à liberdade religiosa e recomenda que a Resolução da Difamação da Religião seja rejeitada.
A Portas Abertas está trabalhando de forma diplomática nas Nações Unidas.
Muitos escritórios da Portas Abertas em diferentes países estão influenciando seus governos a destacar o assunto e aumentar a pressão para assegurar que muitas outras nações votem contra a resolução.
5. Por que é urgente?
A Resolução da Difamação da Religião tem sido apresentada na Organização das Nações Unidas desde 1999. Porém, tem havido uma diminuição significante no apoio à resolução nos últimos anos e existe uma grande chance de que ela seja rejeitada este ano. Ações conjuntas neste momento podem fazer toda a diferença.
Tentativas de influência consistentes, as ações populares e a consciência da mídia sobre o assunto são necessárias para alcançar o equilíbrio e, finalmente, derrotar a resolução. Até que seja rejeitada, ela continua dando legitimidade à legislação nacional como as leis de blasfêmia no Paquistão, que são usadas para restringir a liberdade religiosa, principalmente aos cristãos.
6. Relatório de votação da reunião na Assembleia Geral da ONU ano passado:
O esboço da resolução da difamação da religião (documento A/64/439/Add.2, parte II) foi adotado pela Assembleia Geral da ONU pelo registro de votos de 80 a favor, 61 contra, com 42 abstenções, conforme segue:
A favor: Afeganistão, Argélia, Angola, Azerbaijão, Barein, Bangladesh, Barbados, Belarus, Butão, Bolivia, Brunei, Camboja, Chade, China, Comores, Congo, Costa do Marfim, Cuba, República Democrática Popular da Coreia, República Democrática do Congo, Djibuti, Domínica, República Dominicana, Egito, El Salvador, Eritreia, Etiópia, Gabão, Guinea, Guiné-Bissau, Guiana, Indonésia, Irã, Iraque, Jordania, Cazaquistão, Kuweit, Quirguistão, República Democrática Popular do Laos, Líbano, Líbia, Malásia, Maldivas, Mali, Mauritânia, Marrocos, Moçambique, Mianmar, Namíbia, Nicarágua, Níger, Nigéria, Oman, Paquistão, Filipinas, Catar, Federação Russa, São Vicente e Granadinas, Arábia Saudita, Senegal, Cingapura, Somália, África do Sul, Sri Lanka, Sudão, Suriname, Suazilândia, Síria, Tadjiquistão, Tailândia, Togo, Tunísia, Turquia, Turcomenistão, Uganda. Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Venezuela, Vietnã, Iêmen.
Contra: Andorra, Austrália, Áustria, Bélgica, Bulgária, Canadá, Chile, Croácia, Chipre, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Geórgia, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Latvia, Listenstaine, Lituânia, Luxemburgo, Malta, ilhas Marshall, México, Micronésia (estados federais), Mônaco, Montenegro, Nauru, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Palau, Panamá, Papua Nova Guiné, Polônia, Portugal, República da Coreia, República da Moldávia, Romênia, Santa Lúcia, Samoa, São Marino, Sérvia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, República da Macedônia, Timor Leste, Tonga, Ucrânia, Reino Unido, Estados Unidos, Uruguai, Vanuatu.
Abstenção: Albânia, Antigua e Barbuda, Argentina, Armênia, Bahamas, Belize, Benin, Bósnia e Herzegovina, Botsuana, Brasil, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Cabo Verde, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guine Equatorial, Fiji, Gana, Grenada, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Japão, Quênia, Lesoto, Libéria, Malawi, Ilhas Mauricio, Mongólia, Nepal, Paraguai, Peru, Ruanda, São Cristóvão e Neves, Trindade e Tobago, Tuvalu, Tanzânia, Zâmbia.
Ausente: República Central Africana, Gâmbia, Quiribati, Madagascar, São Tomé e Príncipe, Seicheles, Serra Leoa, Ilhas Salomão, Zimbábue.
7. Quais países fazem parte da Organização da Conferência Islâmica?
Afeganistão, Albânia, Argélia, Azerbaijão, Barein, Bangladesh, Benim, Brunei, Burquina-Faso, Camarões, Chade, Comores, Costa do Marfim, Djibuti, Egito, Gabão, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Guiana, Indonésia, Irã, Iraque, Jordânia, Cazaquistão, Kuweit, Quirguistão, Líbano, Líbia, Malásia, Maldivas, Mali, Mauritânia, Marrocos, Moçambique, Níger, Nigéria, Oman, Paquistão, Palestina, Catar, Arábia Saudita, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Suriname, Síria, Tadjiquistão, Togo, Tunísia, Turquia, Turcomenistão, Uganda, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Iêmen.
Divulgue em sua Igreja
Ajude a conscientizar as pessoas sobre a ameaça contra a liberdade religiosa compartilhando sobre a campanha Free to Believe com seus amigos, sua Igreja e seu pequeno grupo. Participe e incentive o maior número de pessoas a assinar a petição.
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