Em meus cursos já me deparei com alunos de vários tipos. Há aqueles interessados, também os que parecem que nem sabem o que estão fazendo ali, os atentos e os que dormem nas aulas, os participativos e os atenciosos. Porém, um tipo que, apesar de não ser maioria, de maneira alguma, sempre se faz presente, é aquele que eu chamo de douto desconhecedor.
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quinta-feira, 26 de julho de 2012
quarta-feira, 11 de julho de 2012
A necessidade dos intelectuais
Posted by Fabio Blanco on 08:51
As mazelas da humanidade te atraem e vês tudo pelo seu lado mais sombrio. Realças as dificuldades da vida, tens uma tendência tétrica à desgraça e alimentas uma paixão doentia pela tragédia. Quem te ouve pergunta se tu não sofres de alguma enfermidade, pois o que tu dizes realça as tristezas deste mundo.
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quarta-feira, 23 de maio de 2012
Aos letristas
Posted by Fabio Blanco on 01:33
Aviso aos amantes da letra, aos que acreditam que os textos (mesmos bíblicos) respondem todas as questões da existência: palavras são símbolos que fazem referência a uma realidade exterior; não são elas mesmas realidades.
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quarta-feira, 4 de abril de 2012
O caos intelectual
Posted by Fabio Blanco on 11:39
O problema da geração atual é que está preocupada demais com o que sente e não com o que pensa. Quando ouvi essa fala atribuída à primeira ministra britânica Margareth Thatcher, no filme que conta sua história, “Dama de Ferro”, passei a refletir sobre ela. Não sei se a política inglesa disse isso mesmo, mas a ideia povoou a minha cabeça desde então. Comecei a observar que, realmente, mesmo entre pessoas consideradas cultas, o elemento definidor das ações e, até mesmo, dos pensamentos, não é a razão, mas o sentimento. Percebi que as pessoas defendem suas ideias não pela coerência intrínseca delas, mas por alguma questão mais emocional, que as liga a elas.
É óbvio que essa proeminência do sentimento destrói a coerência das coisas. Quando o sensível tem prioridade, não se pode mais esperar que os atos sejam justos. Isso porque o elemento motivador não estará fundamentado na coesão do pensamento, mas na impressão superficial.
O resultado disso é que não dá para confiar no que as pessoas defendem, pois suas escolhas, invariavelmente, estão mais ligadas aos seus afetos do que às razões. Mesmo pessoas instruídas acabam por agir baseadas no apego que têm a certos valores e ideias, manifestando que seus sentimentos são os definidores de seus atos e palavras. A coerência passa a ser apenas uma tentativa, a posteriori, de justificar suas escolhas.
Vejo isso na filosofia, na teologia, na religião e em tudo o mais que esteja envolvida a necessidade de um pensamento mais intelectualizado. A partir daí, tem início o que eu chamo de danças teológicas ou danças filosóficas, que nada mais são do que tentativas de logicização de uma escolha estritamente emocional. Após isso, toda a coerência exterior, ou lógica, perde sua confiabilidade, pois contaminada em sua raiz. Não me lembro de ter conhecido alguém que defendesse uma doutrina somente após o estudo de muitas outras. Invariavelmente, sua escolha é baseada em impressões e o restante de sua vida uma racionalização justificadora dessas impressões.
Dessa forma, a própria autoridade perde sua força. Ora, é muito comum, e saudável, que confiemos em alguns homens pela sua sabedoria e conhecimento. São como guias que, em meio às nossas trevas, indicam o caminho para trilharmos. São homens que deveríamos dar crédito, ainda que não compreendêssemos exatamente as razões. Seriam os desbravadores que, abrindo a mata do conhecimento, permitem que adentremos nela com os pés mais seguros. No entanto, quantos são os homens em quem, nesse sentido, podemos confiar? Sabendo que quase todos estão apenas refletindo suas escolhas e justificando-as, está cada vez mais difícil acharmos aqueles aos quais podemos chamar de mestres.
O resultado é o caos intelectual. Se não há autoridades confiáveis, cada um segue seu caminho, interpretando a realidade de seu jeito, e pior, normalmente cometendo o mesmo erro: priorizando o sentimento. Faltam líderes: homens que, desapegados do espírito de grupo, dos compromissos sociais e da aprovação dos pares, se tornem referências para as quais podemos olhar e confiar.
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quarta-feira, 28 de março de 2012
O diabo de leitor
Posted by Fabio Blanco on 08:11
Talvez a melhor estratégia para bem escrever seja pensar em si mesmo como o leitor; na verdade, como o único leitor. Isso porque o que corrompe a pureza das ideias é a intenção de convencer ou de ser reconhecido. Quando se escreve para os outros, sempre há o risco de trair a si mesmo.
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quinta-feira, 9 de abril de 2009
A sabedoria dos antigos
Posted by Fabio Blanco on 10:44
Em vez de decepção, há um verdadeiro fascínio em decobrir algo que já existe, em perceber que uma coisa que, no profundo de nossas reflexões, foi achada, já havia sido achada muito tempo antes, por outros. Ao invés de tristeza há, sim, uma sensação reconfortante, um real sentimento de 'não estar só'. Além disso, saber que a grande maioria das coisas já foi dita ou pensada nos mantém humildes em nossa posição, evitando a arrogância de quem se acredita o único dono da verdade.
Forcei minha voz com penoso exagero juvenil ao proferir minhas verdades e fui punido da maneira mais adequada e engraçada, pois mantive as verdades, mas descobri, não que não eram verdades, mas simplesmente que não eram minhas.
Ouvir a voz do passado é mais que reverência, é inteligência. Por que caminhar um caminho tão longo, se posso ser carregado nos braços por boa parte dele? Quando investigo algo e me levo a beber na fonte dos antigos, percebo que minha caminhada se torna muito menos penosa, afinal. Muitos passos que, por meus esforços, precisaria dar, já foram dados por eles e são o atalho para o meu destino.
Ainda sou jovem, mas já aprendi a reconhecer o valor da tradição, da autoridade dos antigos. Talvez não como alguns medievais, que sendo exemplos de reverência e respeito à autoridade, às vezes até exageravam nisso, mas como alguém que compreendeu que a humildade não é apenas um ato exterior, mas uma decisão consciente de quem se conhece, tem ciência de sua posição e condição e não se coloca acima disso, pelo contrário, até se curva diante da sabedoria de homens que destrincharam as mais cerradas florestas do conhecimento.
Jovem, se queres ter algum conhecimento relevante, saibas que ignorar o acervo do passado, principalmente daqueles que reconheceram a sabedoria de Deus, é um risco sem compensação em qualquer ramo do saber.
Isto é tradição, isto é autoridade, isto é reverência, a saber, que neste mundo, apesar de lograrmos apenas um destino, por apenas um caminho, é mais fácil seguir esta via com a ajuda daqueles que já a trilharam.
Citação de G. K. Chesterton
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