quinta-feira, 31 de março de 2011

Porque sou contra a Teologia da Libertação

Algumas pessoas não entendem porque me debato contra a Teologia da Libertação e seus adeptos mais modernos. Acham que é apenas por uma questão ideológica e política e, por isso, tendem a interpretar minhas opiniões como se fossem apenas uma expressão política conservadora contra o progressismo dos outros.

No entanto, apesar de haver uma real discordância política de minha parte (mesmo eu não possuindo qualquer ideologia e não sendo adepto de qualquer vertente política definida), a principal razão de minha objeção é muito mais profunda e muito mais teológica.

Posso resumir da seguinte maneira: 

Em nenhum momento os evangelhos ou as epístolas indicam que devemos fazer algum esforço para mudar o mundo, no sentido de criar revoluções e impor nossas ideias de sociedade perfeita sobre as outras pessoas. O que eu aprendo do Novo Testamento bíblico é que, ressurretos em Cristo, somos novas criaturas, que têm ainda, de maneira acidental, o mundo carnal como algo a ser suportado, com todas as suas mazelas e tribulações. Como seres espirituais, o que nos importa, agora, são as coisas do espírito, sabendo que as coisas da carne ainda nos acompanham até que a redenção venha por completo.

Por isso, não quero mudar o mundo, pois sei que um reino messiânico será imposto a todos, não conquistado pelos homens. Também sei que todas as tentativas de impor um mundo melhor, por parte dos homens, acabaram em tragédias e genocídios.

Isso não é escapismo, porque essa bendita esperança não me exime de todas as responsabilidades de amor, trabalho e testemunho que tenho nesta vida. Porém, isso não me faz ser apegado a ela, já que não pertenço mais a ela, desde que me foi dada uma nova natureza em Cristo Jesus.

Isso bate de frente com que homens como Leonardo Boff e Frei Beto acreditam. E também Ricardo Gondim e Ed René Kivitz (para citar ainda dois baluartes da teologia protestante brasileira mais atual).

Eles crêem, sinceramente, que este mundo precisa ser transformado pela força humana, que nós cristãos somos responsáveis por isso e que o amor pelo temporal tem tanto ou mais importância do que o amor pelo eterno.

Bom, cada um ama o que acredita ser o mais importante. Eu, no entanto, ainda coloco toda a minha fé no incorruptível, pois sei que dele não me surgirão frustrações.

terça-feira, 29 de março de 2011

A naturalidade do triunfo da verdade

A história da relação de Deus com o mundo não é a história da luta entre o bem o mal. Erram aqueles que acreditam que há uma batalha e que Deus, pelo fato de ser mais forte que Satanás, vencerá no final. 

sábado, 26 de março de 2011

Humano, não mundano

A despeito do post anterior, diferente de muitos pensadores moderninhos, eu não sou alguém que fica exaltando a imperfeição como algo bonito, algo que nos torna mais "humanos" ou algo que nos faz mais sensíveis. Isso é besteira. Imperfeições são imperfeições e a perfeição sempre é melhor do que a imperfeição.

Há alguns pregadores que exaltam tanto a imperfeição humana que parece que buscar ser melhor, mais puro, mais santo é o verdadeiro pecado. Parece que interpretam as palavras da Bíblia como aqueles homens da igreja primitiva que diziam que deveriam pecar bastante para que a graça de Deus superabundasse sobre eles.

No entanto, Paulo mesmo os corrigiu. Hoje, portanto, esse negócio de exaltar a falibilidade e a imperfeição humanas é simplesmente mundanizar a igreja sob a desculpa de um amor divino.

A limitação humana não é para ser exaltada, é para ser compreendida. Ela também não deve servir como desculpa para os erros, mas explica-os.

Então, deve resignar-se, o cristão, com seus pecados? De maneira alguma! A conformidade com o curso deste mundo não é o ideal do cristão. O que ele deve empreender é uma busca por mais santidade, sim, por menos pecado, sim, por mais pureza, sim. No entanto, deve fazer isso consciente de sua estrutura humana, de sua falibilidade. Assim, empreenderá essa caminhada, não mais crendo que, com suas próprias forças, poderá atingir níveis de conduta irreprensíveis; mas, sim, com a direção do Espírito Santo, crescerá como quem está sendo transformado para se tornar cada vez mais parecido com Cristo.

E a perfeição? É o norte, o objetivo inalcançável, porém que atrai cada vez mais para o que é melhor, tornando o imperfeito cada vez melhor.




sexta-feira, 25 de março de 2011

Consciência da limitação

Percebo, em muitos novos convertidos, uma ansiedade manifesta. Eles acreditam e esperam que um dia poderão atingir um nível tal de espiritualidade que viverão como que à parte dos problemas deste mundo. Crêem que a evolução de suas vidas religiosas terá o poder de arrancá-los das perturbações desta vida e elevá-los a um nível praticamente estóico de existência.

No entanto, infelizmente, essa não é a realidade.

Além de considerar a própria declaração de Cristo, que nada mais era do que uma constatação, de que no mundo teríamos aflições, há algo que também não podemos ignorar: nossa estrutura limitada é a própria causadora de tudo isso. Independente dos poderes angélicos que atuem nos domínios deste mundo, o próprio homem, em sua disposição natural, já enfrenta as tensões não apenas psicológicas, mas inclusive físicas. São impossibilidades, parcialidades, oposições que, por causa da limitação natural, estão impregnadas em sua existência.

Por isso, é necessário ter consciência de que haverá sempre levantes externos contra a nossa sanidade, contra o nosso equilíbrio. Os fatores alienantes também estarão sempre presentes e todo passo para a perfeição é apenas um reconhecimento mais profundo de nossa imperfeição.

Mesmo que fossemos ermitões, sobrariam ainda os próprios conflitos internos, naturais e irrenunciáveis.

Portanto, sábio é ser consciente da estrutura humana, lidando com os fatores opositores não como inimigos externos, mas como caminhos naturais que precisam ser ultrapassados - sempre com muito cuidado.

quinta-feira, 24 de março de 2011

Mais do que imagina a vã teologia

Basta ocorrer um desastre natural, como esse de proporções grandes que ocorreu no Japão, para, neste mundo interconectado, iniciarem-se as velhas e mesmas discussões. De um lado, os que defendem o controle absoluto de um Deus que determina até os mínimos detalhes da ação humana, de quem nada escapa e que é, no fim, o responsável final por todas as coisas; de outro lado, um Deus impotente, que, por não ter qualquer controle sobre a história do mundo, se surpreende e até chora com as mazelas da humanidade. 

Ora, para mim, sem querer parecer arrogante, como quem se coloca acima dos litígios, tudo isso me apresenta como uma discussão bastante pueril. Fica mais ou menos claro que ambos os lados se apegam a extremos de compreensão que não permitem qualquer tipo de maleabilidade para a atuação divina. Não são apenas os cristãos deterministas que encaixotam Deus, os teístas abertos também. Se aqueles não permitem a Deus qualquer forma de atuação espontânea, fora dos preceitos pré-determinados teologicamente, estes aprisionam a divindade em uma liberdade sufocante, pois se Deus não possui o controle das coisas, é, Ele mesmo, um prisioneiro do destino.

O que eles não percebem é que entre o Deus do controle absoluto e o que chora impotente há muito mais coisas do que imaginam suas vãs teologias.

Ainda vou preparar um texto mais detalhado sobre esse assunto, mas, por ora, já é o suficiente.

quarta-feira, 23 de março de 2011

Ponha-se no seu lugar

Ao falar sobre consciência em minha última aula, uma aluna parece ter dado a melhor explicação sobre o que é realmente consciência - explicação melhor do que eu mesmo pude oferecer. Disse ela que entendeu o que era quando ouviu, pela primeira vez, alguém dizendo: "Ponha-se em seu lugar!". Isso porque ela sabia exatamente qual era o lugar dela. 

Procurando uma boa definição sobre consciência, esse exemplo talvez seja a melhor ilustração possível. Se ela é a percepção do ser e a identificação do eu, nada melhor do que saber-se quem é e onde está (ou onde deve ficar).

terça-feira, 22 de março de 2011

Definição de consciência

Apenas percebi a dificuldade de conceituar consciência quando tentei fazer isso na minha última aula do curso de Teologia do NEC. Eu sei o que é consciência, mas explicar não é fácil, não. Fui então buscar em alguns livros e percebi que essa dificuldade é geral. Entendo  consciência como a percepção dos dados imediatos, de si, do eu, da diferença, das relações; é a identificação da existência individual. Bom, é o que eu consegui dizer, mas será esta explicação satisfatória? Vou procurar mais e espero poder encontrar uma boa definição.

quinta-feira, 17 de março de 2011

O verdadeiro conservadorismo

"O verdadeiro conservadorismo é o progresso que provém do passado e cumpre o que é bom; o falso conservadorismo é uma limitadora e desesperançada volta ao passado, e que trai a promessa do futuro"

Newman Smith, Christian Ethics

quinta-feira, 10 de março de 2011

O vácuo

Não existe ninguém que não sinta, de vez em quando, a sensação do vazio, da distância, do abandono. Isso porque não somos o tudo, e entre nós e Deus há uma certa separação. Se fôssemos o tudo seríamos Deus, se estivéssemos inseridos totalmente no todo, Deus seria a própria natureza, o que rejeitamos totalmente.


Esse vazio, perceba, é o teu impulso, o teu motor. Como buscar a Deus se já estivéssemos plenamente nEle? Se O buscamos é porque há, sim, alguma separação e, entendo, eternamente haverá. Seremos, sempre, suas criaturas, feitas por um ato inicial seu, que carregam, sim, efeitos diretos de Seu ser. No entanto, jamais seremos Ele, e sempre necessitaremos dEle.


Ora, se há uma necessidade eterna, há, também, uma dependência eterna. E se há ambas há, obviamente, uma eterna separação. Homem algum, de época alguma, pôde se inserir completamente em Deus. Por mais santo, mais puro, mais fiel que seja, sempre haverá um vácuo, um vazio, uma distância.


Bendita separação! É ela que mantém nossos olhos no Pai. Por ela, percebemos que o abismo se encontra logo ali, entre nós e Deus. Não, o inferno não está lá atrás; está, sim, bem ali na frente. E todos caminham em sua direção. O mais irônico disso tudo, é que, de uma maneira ou de outra, esse inferno muitos encontram em seus caminhos em direção a Deus.


O inferno se encontra no fundo de um vale, cercado de um lado pelos homens e de outro pelo paraíso. Os que nele caem, normalmente seguiam para o lar de Deus, mas se depararam com um abismo sem ponte. Largo abismo, e gigante!


Quantos não tentam se achegar a Deus por suas próprias forças. Porém como, se não podem suplantar a distância? Há diversos homens que acreditam em seus caminhos, sua fé, suas religiões, acreditam que podem vencer o espaço que os separa de Deus, mas terminam por descer mesmo ao abismo. 


Isso porque nada pode ser ponte entre nós e Deus. Absolutamente nada! Todas as coisas que existem têm uma limitação intrínseca e não chegam sequer a tangenciar Deus. Onde terminam sua existências não começa a de Deus, mas, sim, o vazio. Deus, às vezes, está logo ali, mas jamais junto. Isso ocorre porque a criatura se estivesse ainda que tangenciando Deus, de alguma maneira se tornaria Ele, o que é impossível.


Há uma distância, irrevogável distância. 


Tristes dos homens que não percebem isso. Sofrem por uma plenitude inalcançável, por uma pureza impossível, por uma unidade com o divino inconcebível. São infelizes porque buscam o salto, o encontro com Deus por meio de um lanço. São petulantes, crendo poder ser um com Deus, sem escalas, sem mediadores, esforçando-se inutilmente por isso.


Entendem então porque Cristo? Ele é a ponte, Ele a ligação possível; e somente Ele.


Ainda há alguma dúvida sobre sua divindade? Pensem: Jesus Cristo é Deus, sim; pois apenas Deus pode ligar-nos a Deus. Todas as outras coisas e pessoas são incapazes disso, intrinsecamente incapazes. Por suas estruturas naturais, estão eternamente separadas do Deus Eterno, não podendo preencher o vácuo, a distância.


Dizem que Cristo morreu em nosso lugar, porque não havia homem algum sem pecado. Não creio nisso. Ainda que houvesse homem sem pecado, não teria este o poder de fazer-nos juntos a Deus. Ainda que puro, seria limitado, naturalmente limitado.


Mas Cristo é Deus. Preencheu a distância sendo homem, possibilitou o encontro sendo Deus. Se fosse apenas homem, o vácuo permaneceria; se fosse apenas Deus não faria a ponte, o contato.


Jesus é a linha que permite o homem tanger Deus. Tênue e maravilhosa linha, que mantém homem e Deus eternamente juntos.

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Teólogo, o intérprete da Revelação

Há, tradicionalmente, diversas maneiras de estudar Teologia. Existem os estudos mais doutrinários, aqueles mais sistemáticos, há ainda a Teologia histórica e tantos quantos forem os teólogos, uma nova maneira de estudar Teologia se apresentará. Sendo uma, poderíamos dizer, ciência humana, não se detém em métodos tão rígidos e inflexíveis.

Por isso, quando digo que tenho um jeito próprio de pensar Teologia, não quero, com isso, inaugurar uma nova ciência, menos ainda inovar na doutrina bíblica. O que me disponho a fazer é, simplesmente, estudar Teologia da forma como eu entendo mais verdadeira e honesta.

Conheço diversos estudos teológicos que, a despeito de sua ortodoxia, ignoram a experiência humana ordinária. Com isso, apesar de serem irrepreensíveis em grande parte de suas investigações, apresentam alguns pontos que se tornam inconciliáveis com a realidade, como vista e experimentada pelo homem comum.

Isso sempre me incomodou, pois entendo que a Teologia não é uma ciência no sentido moderno que se dá ao termo. Ela não é uma visão fragmentada, recortando a realidade. Sendo uma ciência que investiga a revelação divina, suas conclusões buscam a conciliação entre a Palavra de Deus e a Realidade. Quando estas, aparentemente, entram em conflito, a Teologia esforça-se por achar a convergência. O que ela jamais pode aceitar é que aquele aparente conflito seja resolvido com um non sense. A resposta teológica deve ser um acordo entre a Revelação e a Realidade ou uma declaração da incompreensão em relação à primeira. O que não deve é insistir na colisão frontal, o que a desonraria tremendamente.

O pensamento teológico é mais do que a organização mental de uma revelação esparsa, mas, sim, a construção intelectual fundamentada nos dados desta revelação. É, portanto, essencial que o teólogo seja um pensador, alguém que não apenas adquire e coordena informações, mas as disseca, as desenvolve, e as interpreta. Um intérprete da revelação! Esta talvez seja a melhor definição para ele.

Sendo, então, um intérprete, seu papel é muito maior do que saber qual é a revelação. É, sim, compreendê-la, entendendo a que ela se refere, onde ela se encaixa na complexidade da realidade e até onde ela estende seus efeitos.

Não é tarefa simples, nem, como escreveu Gregório de Nazianzo, "se trata de empresa fácil, nem própria a quem se arrasta pelo chão". O teólogo carrega sobre seus ombros a dupla responsabilidade de ser fiel à Revelação de Deus e à realidade conhecida. Se fere a primeira torna-se um herege, se ignora a segunda, um tolo.

Portanto, a decisão pela Teologia não pode se dar apenas pelo desejo de conhecer, mas deve ser acrescentada pela consciência do esforço meditativo necessário para se alcançar as respostas às questões levantadas por essa nobre ciência.

domingo, 16 de janeiro de 2011

A dificuldade da comunicação

Há um grande abismo de comunicação entre as pessoas. Por isso, eu sempre recomendo, aos meus amigos, que não se atenham ao que a outra pessoa disse, mas tente captar o que ela quis dizer. 

Parece claro que a maioria dos problemas surge de uma má compreensão do que o outro  quis dizer, o que significa, muitas vezes, uma perfeita compreensão do que ele disse.

Por exemplo, outro dia um amigo disse para outro amigo que sua relação com um terceiro amigo estava destruída. Palavras fortes, mas para quem conhecia o problema sabia que ela não estava destruída, mas apenas suspensa ou interrompida. Há uma grande diferença entre esses termos, e quem ouviu acreditou que havia ocorrido uma grande ruptura entre os dois, quando eles apenas haviam deixado de se falar, sem um motivo específico.

Outro caso foi de um colega que disse para minha esposa que contratava os seus serviços para lhe ajudar, dando a impressão que sua atitude era apenas filantropia. Eu, que acompanhava tudo, percebi que ele queria dizer que contratava minha esposa por confiança não apenas em seu trabalho, mas em seu caráter, e que ajudar significava, naquela conversa, o próprio ato de contratar por confiança, sem preocupação específica da qualidade de seus serviços, os quais ainda não havia sido demonstrada. É claro que minha esposa não gostou do que ouviu, porém, depois de conversarmos, ela percebeu que a intenção do colega não foi tão agressiva quanto parecia.

Se prestarmos atenção, testemunharemos, a todo instante, casos como esses. Com efeito, tudo isso ocorre porque o universo imaginativo anda restritíssimo, e junto com ele o vocabulário tem estado esmagado entre as paredes do mundinho medíocre de cada um. Por causa disso, quando o sujeito tenta se expressar, não raramente lança mão de palavras que, tomadas em seu sentido correto, não possuem o significado correspondente à sua intenção.

A consequência é que a pessoa fala algo que não quis falar, desejando expressar algo diverso. O receptor ouve a mensagem já distorcida e, muitas vezes, lhe dá um terceiro significado. O que resta, portanto, é a confusão.

Minha solução tem sido amenizar ao máximo o significado das palavras alheias, mesmo quando parecem absurdamente agressivas. Isso porque tenho percebido que aparentes agressões verbais têm sido emitidas com intenções bem menos violentas. No que depender de mim, busco ter paz com todos!

Infelizmente, esse é o fruto de um país mal educado, de pessoas sem instrução básica, que tentam se comunicar e apenas conseguem fazer isso com muito esforço e muitos defeitos.

Além do mais, para perceber tais desvios, é necessário estar acima do nível lamentável da educação brasileira geral. Para estes, que já escaparam da elementaridade, resta, portanto, muita paciência e uma boa capacidade de interpretação.

quinta-feira, 13 de janeiro de 2011

Apenas uma satisfação

Passo aqui apenas para dar uma satisfação aos leitores que regularmente visitam este blog e há exatamente um mês não encontram nada de novo escrito.

Acontece que estou de mudança, movendo meu escritório do Centro da cidade para uma área mais nobre, preparando a inauguração de um sonho antigo: o NEC - Núcleo de Estudos Cristãos.

São tantas providências, tantas obras e tantos gastos!

Mas está quase tudo pronto e logo volto para dar mais detalhes.

Até mais.


Fabio Blanco

domingo, 12 de dezembro de 2010

Aconselhamento para Novos Teólogos

Estudar Teologia não é um passatempo, mas uma vocação. Quem imerge nesse universo carrega então uma responsabilidade que deve ser respeitada e honrada.

Há muitos estudantes de Teologia que ingressam nos cursos sem a bagagem intelectual, psicológica e material necessárias para isso. Se defrontam com um universo muito maior do que a amplitude de suas estreitas visões pode abarcar, causando a transmutação dos conceitos e fórmulas aprendidos para dentro de seus universos limitados.

O resultado disso é a proliferação de pseudo-teólogos, linguarudos e altivos, que mesmo após anos de estudos, não são capazes de desenvolver pensamentos triviais sobre a doutrina sagrada.

O pior é que ao invés de ampliarem seus mundos a fim de alcançarem a ciência, usurpam-na sujeitando-a aos seus mundinhos, forçando para que a infinitude seja enxertada na pequenez. Com isso, numa atitude antisocrática, ao invés de tomarem consciência da ignorância, ao se depararem com a amplitude da realidade, absorvem a Teologia, adaptando-a, inconscientemente, para dentro de seu universo, olhando a parte como se fosse o todo.

Ora, se o todo é enxergável e conhecido por eles, então são eles os próprios senhores da verdade. Se tudo eles sabem, já que nada enxergam além do que vêem, nem possuem a consciência da ignorância, a perçepção que têm de si mesmos é a de verdadeiros cultores da sabedoria.

Se tornam, portanto, enfadonhos, superficiais e ridículos. O que seria uma bela vocação, edificadora do corpo de Cristo, se transforma em entrave e escândalo.

Por isso, ao estudar Teologia, não esqueça que ela é uma ciência profunda, cujo estudo demanda não apenas dedicação direta e exclusiva, mas ampliação da cultura literária, do universo imaginativo e do vocabulário. Sem esses três elementos, o que haverá é a distorção dos conceitos, tornando o que seria uma bênção em mais um obstáculo à verdadeira espiritualidade.


Fabio Blanco

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Talvez alguns cristãos fiquem escandalizados com artigos como estes, chamados "Estado: ministro de Deus"e "A Pena Capital é Bíblica?", ambos publicados no site do Julio Severo, ambos escritos pelo Pr. Marcello Oliveira. Isso porque eles não conseguem compreender como cristãos podem de alguma maneira ser favoráveis à aplicação da pena de morte pelo Estado.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Nossos governantes são o fruto do nosso pecado

...tudo o que o homem semear, isso também ceifará (Gl 6.7). Tal regra não se aplica apenas aos indivíduos, mas, com toda certeza, aos povos. Se ficamos atordoados com mais uma vitória de um partido como o PT, e se já estávamos atordoados antes, quando nossas possibilidades de escolha não iam muito além dos socialistas fabianos do PSDB, isso não foi por pura obra do acaso.

sábado, 6 de novembro de 2010

Ignorância é pecado

Ignorância é pecado, não tenho dúvida disso. Basta entender que o que distingue os homens dos outros animais é, exatamente, a razão. Nela, o homem se assemelha a Deus. Então, abandoná-la, ou melhor, não alimentá-la, é desprezo da única parte realmente valorosa do ser humano.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

"Deus é um pélago do ser" 


Gregório de Nazianzo

sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Sacrifício Vivo (Culto Racional)

Rogo-vos, pois, irmãos, pela compaixão de Deus, que apresenteis os vossos corpos em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional”
(Romanos 12.1)

O sangue e a morte eram os componentes reais do sacrifício praticado no Velho Testamento. Por eles, através da entrega do corpo do animal a ser abatido, era concedido o perdão divino. Tudo, no entanto, era figura do sacrifício definitivo, oferecido pelo próprio Cristo. Ele, que entregue e morto, derramou seu sangue, e agora de maneira definitiva, para o perdão dos pecados dos homens. Não há mais, portanto, necessidade de qualquer sacrifício de morte, pois o de Jesus Cristo foi perfeito e perpétuo. Então, quando Paulo faz a analogia, exortando pela oferta dos próprios corpos como sacrifícios vivos, ele o faz com referência não ao sangue, nem à morte, mas aos outros componentes compreendidos no ato de sacrificar.

O sacrifício no Velho Testamento compreendia a entrega de um animal sem defeitos para ser abatido diante do altar do Senhor. Lançando mão desse conhecimento, o apóstolo conclama o povo cristão a, como se fazia com animais, que eles se façam a si próprios: entreguem-se plenamente ao Senhor de suas almas. A analogia, portanto, é perfeita. Retirando os componentes de sangue e de morte, restam a entrega total, a sujeição plena e a resignação. Como cordeiros, Paulo anima os cristãos a oferecerem a si mesmos como sacrifício, alienando-se totalmente diante de Deus, submetendo-se completamente à Sua vontade, aceitando plenamente o destino traçado por Ele. Não cabe ao sacrifício discutir os altos desígnios de Deus, mas, obediente e submisso, deitar-se no altar eterno, deixando com que o fogo do Senhor o consuma e o purifique.

O que se pede, à maneira dos antigos sacrifícios, é que ele seja santo e agradável. Separados deste mundo, separados para Cristo, esta é a santidade requerida. Como Jesus mesmo disse, não somos este mundo e não temos parte com ele1. Portanto, a separação é requisito essencial do sacrifício moderno. Apenas assim, na verdade, tornar-se-á agradável, pois é a separação que o torna puro, pois passa pela justificação de Cristo. É agradável porque é da maneira como Deus espera.

A exortação de Paulo é séria e a analogia perfeita. Quem deseja ser cristão e agradar a Deus não pode se contentar em servi-Lo desleixadamente, entregar as sobras e não as primícias ou não oferecer o que tem de melhor em si. Não se deve oferecer pão imundo, animal cego, coxo ou enfermo, pois Deus não aceitará a oferta das mão de quem assim procede2. Sim, precisamos ser puros na intenção e sem defeitos no juízo. Apenas assim agradaremos ao Senhor.

O culto, ou seja, a oferta, o louvor, a dedicação devem ser realmente compreendidas como um ato ofertório consciente. O chamado culto racional, o logiken latreian (λογικην λατρειαν), nada mais é do que a oferta consciente da própria vida no altar de Deus. É consciente porque se dá pela compreensão de quem é Jesus Cristo e qual o seu papel na economia salvífica do Evangelho. É racional porque não se dá por meio de um salto gnóstico, pelo qual a verdade se descortina como em mágica, mas, sim, através da conscientização progressiva de nossa posição diante de Deus, compreendida, principalmente, na revelação de Jesus Cristo.

Sacrifício vivo, enfim, é o homem que, conscientemente e sem reservas, se dispõe a ser devorado pelo fogo salvador do céu.


1João 17.14
2Malaquias 1.7-10

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Todo pecado é idolatria

No Velho Testamento há um tensão constante entre a fidelidade do povo ao Deus único, o Senhor Jeová, e os deuses existentes na cultura dos outros povos. Não poucas vezes os próprios judeus decaiam para a idolatria, ou seja, o culto daqueles ídolos. Em vários momentos, os profetas alertam para a fúria do Senhor Jeová, que recrimina o seu próprio povo por agir com infidelidade, adorando ídolos estrangeiros.

Mas quem são esses ídolos? Na verdade, ninguém, pois sabemos que o ídolo nada é no mundo1. Portanto, o que Deus desaprova não tem nada a ver com uma disputa com deuses menores, mas, sim, recrimina a intenção infiel do povo. Ao cultuar outros deuses, ainda que apenas criações culturais e religiosas, o homem substitui Deus, com todos os seus preceitos e determinações, por práticas estrangeiras que nada tinham em comum com o zelo do Deus de Israel. Ao fazerem isso, o verdadeiro Deus é rejeitado, pois não é possível dividir sua glória com qualquer outro ser. Sua glória, Deus não dá a outro, nem permite que seu louvor seja dado a imagens de escultura2.

Nós, homens de um tempo que não mais crê na existência de deuses, como criam os antigos, longe de acharmos que, por isto, estamos isentos do pecado da idolatria, devemos prestar atenção no que consiste, realmente, esse pecado. Não existe a idolatria putativa3, isso porque o pecado de idolatria se efetua na intenção do agente e não na realidade do deus menor. Idólatra é aquele que, ao invés de dar a glória ao único Deus verdadeiro, a outro a dá, ou a algum objeto.

Na verdade, o cerne da idolatria é o servir a deuses estranhos4. Cometer o pecado da idolatria é deixar de servir a Deus, o único Senhor verdadeiro, para servir a outros senhores. Ora, Jesus Cristo mesmo disse que ninguém pode servir a dois senhores; porque ou há de odiar um e amar o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Não podeis servir a Deus e a Mamom (riquezas)5. Sendo assim, não há como entender de outra forma: sempre que servimos a algum outro ou a alguma outra coisa, além de Deus, estamos cometendo idolatria.

Independentemente de servir a um ídolo propriamente dito (um santo, uma entidade, um espírito), o qual se imagina exista e pode atuar no mundo ou servir alguma outra coisa qualquer, ainda que saiba inexistente ou inanimada, quem assim fizer estará incorrendo no pecado da idolatria. Porque cometer idolatria é, simplesmente, ter algo como seu senhor antes de Deus. Se algo tem e proeminência na vida de uma pessoa, e ela serve a isso com mais dedicação do que a Deus, certo é que o que ela faz pode ser considerada uma atitude idólatra.

Deus é o único senhor na vida de um cristão. Todas as outras coisas, se praticadas, usadas, usufruídas, devem assim ser sob a condição de nos fazerem servir a esse único Senhor. Não é possível, como o próprio Jesus afirma, nem mesmo tentar dividir a prestação do serviço, ainda que se imagine que está servindo a Deus mais que aos outros. Isso não existe! Só deve haver um senhor! Falando de uma maneira bem direta: quem tentar servir a Deus e alguma outra coisa ao mesmo tempo fará tudo bem mal e porcamente.

Mas falando assim, para quem não entende a profundidade do cristianismo, talvez pareça um exagero. Afinal, precisamos viver, ter experiências, nos divertir. É bem possível, pensam, ser um bom servo de Deus e continuar vivendo normalmente, com cada área de sua vida cuidada de uma maneira especial: a Deus o que é de Deus, ao trabalho o que é do trabalho, ao casamento o que é do casamento, aos filhos o que é dos filhos.

Acontece que tal pensamento não tem fundamento, pois baseado em premissas falsas. Quem assim pensa acredita que cada área da vida de uma pessoa é parte fragmentada, que pode ser cuidada separadamente, sendo em nada afetada pelas outras partes existentes. Não entende que somos apenas um só, seres individuais, não fragmentários, que devem sua existência a um outro ser, este porém Supremo. Sendo individuais, unos, não há como separar a vida em estanques apartados, pois, de qualquer maneira, devemos tudo ao mesmo Ser Eterno, e a Ele damos conta de todas as coisas. Todas as coisas foram feitas por meio dele, e sem ele nada do que foi feito se fez6. Se tudo é por Ele e para Ele, de quem é tudo e para quem nós vivemos7, nada, absolutamente nada, nem o mais ínfimo ato, nem o pensamento guardado no mais recôndito de nossa memória, estão fora do senhorio de Cristo em nossa vida. Tudo é para Ele, para que em tudo tenha a preeminência8.

O que fazemos, para Cristo fazemos. Tudo é, de uma maneira ou de outra, uma consagração a Deus. Por isso, nada tem a preferência antes do Senhor. Há um só Deus, um só Senhor9, apenas um a quem se deve servir. Todas as outras coisas confluem para Ele, direta ou indiretamente. Se alguma coisa há, em nossa vida, que consideramos que Cristo está totalmente apartado, podemos ter a certeza que ali reside o pecado, que ali se configura a idolatria.

Considerando, portanto, que pecar é não fazer a vontade de Deus, e isso significa não servi-lo, mas a outro, podemos afirmar, sim, que todo pecado é idolatria. Então, todas as vezes que pecamos, devemos nos sentir alertados como o povo do Antigo Testamento, que ouvia de Deus a voz de sua ira ao vê-los agindo como adúlteros, oferecendo a outros deuses o que pertencia somente a Deus.

Sejamos gratos àquele que tudo nos concedeu, inclusive a nossa própria existência, oferecendo a Ele de volta, como servos fiéis, e não como usurpadores, o amor, a dedicação e o culto devidos. Entreguemos nossa vida, como sacrifícios vivos10, no altar de Deus, entregando-lhe não apenas uma religiosidade exterior, não apenas uma parte da nossa vida, mas todo o nosso ser em consagração a Ele. Não vivendo como idólatras, que servem a outros deuses, mas como servos piedosos, que em tudo dedicam suas próprias vidas ao louvor do Deus Eterno.

(aula para os alunos da classe de batismo)


1I Coríntios 8.4
2Isaías 42.8
3Putativo é algo atribuído a alguém de maneira falsa, ou praticado por total engano do agente que, sem saber, não tinha possibilidade alguma de cometer tal ato.
4Josué 24.20
5Mateus 6.24
6João 1.3
7I Coríntios 8.6
8Colossenses 1.18
9Efésios 4.5
10Romanos 12.1

domingo, 24 de outubro de 2010

Repasso essa informação, porque é de extrema importância.

Será votada, na ONU, a chamada Resolução da Difamação da religião, a qual, diferente do que pode parecer, seria um salvo-conduto para países, principalmente islâmicos, dentro de seus territórios, perseguirem pessoas de outras religiões.

Abaixo segue a explicação sobre essa resolução, tirada diretamente do site do Portas Abertas.

Para assinar a petição contra a resolução, clique aqui.

Logo, escreverei um artigo sobre essa tática, que é muito parecida com outras imposições que tentam ser feitas, inclusive aqui no Brasil.

Aliás, apenas para variar um pouco, o Brasil está na lista dos países que se abstêm na votação, diferente dos países mais civilizados.

Segue o texto:

1. O que é a Resolução da Difamação da Religião?

A resolução foi apresentada e votada de várias formas e sob vários nomes desde 1999. Espera-se que ela seja votada novamente na Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas em dezembro de 2010. A primeira campanha da Difamação da Religião realizada pela Organização da Conferência Islâmica (OIC, em inglês), teve como alvo a “Difamação do islã”, mas posteriormente, voltou a ser considerada como “Difamação da Religião” para receber apoio de vários países. Até este ano, o islamismo foi a única fé especificamente mencionada nas resoluções do Conselho dos Direitos Humanos da ONU e que foi aprovada pela Assembleia Geral. Em março de 2010, uma nova versão foi apresentada ao Conselho. Mais uma vez era referente à islamofobia, mas também incluía a menção ao anti-semitismo e cristianofobia e foi votada como lei por uma pequena maioria. Porém, proteger o islã é claramente o foco da resolução.

2. O que está errado com a Resolução da Difamação da Religião

A Resolução da Difamação da Religião busca criminalizar palavras ou ações consideradas contra uma religião em particular, nesse caso, o Islã. Embora os proponentes justifiquem que o conceito da “difamação de religiões” proteja a prática religiosa e promova a tolerância, ela, na verdade, promove a intolerância e viola a liberdade de religião e de expressão para as minorias religiosas – especialmente cristãos.
Os direitos humanos são exatamente isso – direitos pertencentes a indivíduos – mas essa resolução procura dar esses direitos a uma religião específica. Ela vai contra a lei dos direitos básicos que existem para proteger os seres humanos, não as crenças religiosas ou os sistemas.
A Resolução da Difamação da Religião tem o poder de dar legitimidade internacional para leis nacionais que punem a blasfêmia ou, por outro lado, proíbem críticas a uma religião. Por exemplo, a lei da blasfêmia em alguns países tem sido usada para justificar ações que restringem seletivamente dissidentes civis, proíbe a critica de estruturas políticas e restringe os discursos religiosos das comunidades de fé minoritárias, afasta membros de crença majoritária e pessoas de fé religiosa. Sob essas leis, acusações criminais foram impostas contra os indivíduos por difamação, insulto, ofensa, afronta e blasfêmia ao islã, que frequentemente

3. A perseguição está realmente acontecendo?

Sim!

Paquistão:

As leis de blasfêmia no Paquistão são geralmente usadas de forma abusiva pelos muçulmanos como ferramenta de vingança contra cristãos e outras minorias em disputas por terras e outras questões. Nenhuma prova é necessária para acusar alguém de blasfêmia e levar essa pessoa à prisão.

Em 3 de março, Ruqqiya Bibi e seu marido Munir Masih foram sentenciados a 25 anos de prisão sob a Seção 295-B do Código Penal paquistanês por profanar o Alcorão. Eles foram presos pela polícia de Mustafabad em dezembro de 2008 por tocar no livro sagrado do islã sem se lavar conforme o ritual. A punição por profanar o Alcorão é prisão perpétua, o que equivale a 25 anos no Paquistão.

O casal foi acusado de usar o Alcorão para magia negra, e que durante o processo, Ruqqiya tocou no livro sem passar pelo ritual de limpeza. Também foram acusados de escrever o credo do islã nas paredes de sua casa. O advogado deles disse que a acusação surgiu de uma discussão entre crianças muçulmanas e cristãs que acabou em um conflito entre seus pais.

Sudão:

Outro incidente de abuso das leis da “difamação da religião” que teve muita publicidade foi um caso ocorrido em novembro de 2007, no qual uma professora britânica foi sentenciada a 15 dias de prisão por “insultar a religião”, após ter nomeado um ursinho de pelúcia “Maomé”. O nome foi escolhido em homenagem a um aluno popular na classe chamado Muhammad.

4. O que a Portas Abertas Internacional está fazendo?

A Portas Abertas Internacional está organizando uma ação que faz parte da campanha Free to Believe para conscientizar as pessoas sobre a ameaça dessa resolução para a liberdade religiosa e para impedir que ela seja votada na Assembleia Geral das Nações Unidas.

Isso inclui:

A Portas Abertas Internacional está organizando uma petição global para coletar assinaturas em todo o mundo em apoio à liberdade religiosa e recomenda que a Resolução da Difamação da Religião seja rejeitada.
A Portas Abertas está trabalhando de forma diplomática nas Nações Unidas.

Muitos escritórios da Portas Abertas em diferentes países estão influenciando seus governos a destacar o assunto e aumentar a pressão para assegurar que muitas outras nações votem contra a resolução.

5. Por que é urgente?

A Resolução da Difamação da Religião tem sido apresentada na Organização das Nações Unidas desde 1999. Porém, tem havido uma diminuição significante no apoio à resolução nos últimos anos e existe uma grande chance de que ela seja rejeitada este ano. Ações conjuntas neste momento podem fazer toda a diferença.

Tentativas de influência consistentes, as ações populares e a consciência da mídia sobre o assunto são necessárias para alcançar o equilíbrio e, finalmente, derrotar a resolução. Até que seja rejeitada, ela continua dando legitimidade à legislação nacional como as leis de blasfêmia no Paquistão, que são usadas para restringir a liberdade religiosa, principalmente aos cristãos.

6. Relatório de votação da reunião na Assembleia Geral da ONU ano passado:

O esboço da resolução da difamação da religião (documento A/64/439/Add.2, parte II) foi adotado pela Assembleia Geral da ONU pelo registro de votos de 80 a favor, 61 contra, com 42 abstenções, conforme segue:

A favor: Afeganistão, Argélia, Angola, Azerbaijão, Barein, Bangladesh, Barbados, Belarus, Butão, Bolivia, Brunei, Camboja, Chade, China, Comores, Congo, Costa do Marfim, Cuba, República Democrática Popular da Coreia, República Democrática do Congo, Djibuti, Domínica, República Dominicana, Egito, El Salvador, Eritreia, Etiópia, Gabão, Guinea, Guiné-Bissau, Guiana, Indonésia, Irã, Iraque, Jordania, Cazaquistão, Kuweit, Quirguistão, República Democrática Popular do Laos, Líbano, Líbia, Malásia, Maldivas, Mali, Mauritânia, Marrocos, Moçambique, Mianmar, Namíbia, Nicarágua, Níger, Nigéria, Oman, Paquistão, Filipinas, Catar, Federação Russa, São Vicente e Granadinas, Arábia Saudita, Senegal, Cingapura, Somália, África do Sul, Sri Lanka, Sudão, Suriname, Suazilândia, Síria, Tadjiquistão, Tailândia, Togo, Tunísia, Turquia, Turcomenistão, Uganda. Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Venezuela, Vietnã, Iêmen.

Contra: Andorra, Austrália, Áustria, Bélgica, Bulgária, Canadá, Chile, Croácia, Chipre, República Tcheca, Dinamarca, Estônia, Finlândia, França, Geórgia, Alemanha, Grécia, Hungria, Islândia, Irlanda, Israel, Itália, Latvia, Listenstaine, Lituânia, Luxemburgo, Malta, ilhas Marshall, México, Micronésia (estados federais), Mônaco, Montenegro, Nauru, Holanda, Nova Zelândia, Noruega, Palau, Panamá, Papua Nova Guiné, Polônia, Portugal, República da Coreia, República da Moldávia, Romênia, Santa Lúcia, Samoa, São Marino, Sérvia, Eslováquia, Eslovênia, Espanha, Suécia, Suíça, República da Macedônia, Timor Leste, Tonga, Ucrânia, Reino Unido, Estados Unidos, Uruguai, Vanuatu.

Abstenção: Albânia, Antigua e Barbuda, Argentina, Armênia, Bahamas, Belize, Benin, Bósnia e Herzegovina, Botsuana, Brasil, Burquina Faso, Burundi, Camarões, Cabo Verde, Colômbia, Costa Rica, Equador, Guine Equatorial, Fiji, Gana, Grenada, Guatemala, Haiti, Honduras, Índia, Jamaica, Japão, Quênia, Lesoto, Libéria, Malawi, Ilhas Mauricio, Mongólia, Nepal, Paraguai, Peru, Ruanda, São Cristóvão e Neves, Trindade e Tobago, Tuvalu, Tanzânia, Zâmbia.

Ausente: República Central Africana, Gâmbia, Quiribati, Madagascar, São Tomé e Príncipe, Seicheles, Serra Leoa, Ilhas Salomão, Zimbábue.

7. Quais países fazem parte da Organização da Conferência Islâmica?

Afeganistão, Albânia, Argélia, Azerbaijão, Barein, Bangladesh, Benim, Brunei, Burquina-Faso, Camarões, Chade, Comores, Costa do Marfim, Djibuti, Egito, Gabão, Gâmbia, Guiné, Guiné-Bissau, Guiana, Indonésia, Irã, Iraque, Jordânia, Cazaquistão, Kuweit, Quirguistão, Líbano, Líbia, Malásia, Maldivas, Mali, Mauritânia, Marrocos, Moçambique, Níger, Nigéria, Oman, Paquistão, Palestina, Catar, Arábia Saudita, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão, Suriname, Síria, Tadjiquistão, Togo, Tunísia, Turquia, Turcomenistão, Uganda, Emirados Árabes Unidos, Uzbequistão, Iêmen.

Divulgue em sua Igreja

Ajude a conscientizar as pessoas sobre a ameaça contra a liberdade religiosa compartilhando sobre a campanha Free to Believe com seus amigos, sua Igreja e seu pequeno grupo. Participe e incentive o maior número de pessoas a assinar a petição.

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Conservador: um horror!

No Brasil que é teu e meu
muito menos é um horror
um homem dizer-se ateu
do que um conservador.

O Estado é paternal,
o governo encardido,
e o eleitor que se dá mal
com o político bandido

O sindicato é uma máfia,
a justiça uma piada,
a universidade só empáfia
e a escola abandonada.

Assaltados por impostos,
abusados pelos juros,
não poupam nem os mortos,
nos carregam como a burros.

No Brasil que é teu e meu
muito menos é um horror
um homem dizer-se ateu
do que um conservador.

Todo mundo é marxista,
da polícia fala mal,
tem milico comunista,
tudo aqui é sem igual.

Tem padre esquerdista,
bispo liberal,
pastor que é abortista,
uma igreja anormal

Cristão que é progressista,
católico espiritualista,
mulher crente feminista,
puritano hedonista

No Brasil que é teu e meu
muito menos é um horror
um homem dizer-se ateu
do que um conservador.

Todo mundo qué rezistro
Na carteira pra trabaiá
Quem não tem ela assinada
É um pária, sai pra lá

Cesta-base, aviso-breve
Tique-alimentação
Brasil, um país de todos
que do governo comem na mão

Bolsa aqui, Bolsa acolá
que compra o voto do peão
que assim sem trabalhá
não compra nem Luis Vintão*

No Brasil que é teu e meu
muito menos é um horror
um homem dizer-se ateu
do que um conservador.

Aqui, ninguém pode ser culto,
desse todos falam mal,
pois é quase um insulto
saber mais que um animal

Estudo só certificado
pra emprego arrumar
ou concurso pro Estado
pra de suas tetas mamar

Um sonho: aposentadoria
pro churrasco aproveitar,
no futebol a alegria
de quem só pensa em descansar

No Brasil que é teu e meu
muito menos é um horror
um homem dizer-se ateu
do que um conservador.

Militar é condenado
Pelo zelo e por civismo
Guerrilheiro indenizado
por usar de terrorismo

Conservador é um ET
Por ninguém é compreendido
Que não é só contra o PT
mas contra qualquer partido

Pois aqui só há esquerda,
Socialismo universal.
A moral sofreu sua perda
Lembra um grande carnaval

No Brasil que é teu e meu
muito menos é um horror
um homem dizer-se Deus
do que um conservador.


* eu tinha colocado Lui Vitão, mas a sugestão do Edson Camargo (www.profetaurbano.blogspot.com), Luis Vintão, é muito mais legal.


postado por Fabio Blanco às 11:44

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

Escravos da Verdade

"É preciso entregar-se de todo o coração para que a verdade se entregue. A verdade só está a serviço de seus escravos".

A.-D. Sertillanges, no livro 'A Vida Intelectual'

sábado, 16 de outubro de 2010

Manifesto Revolucionário Evangélico - parte 2

Ao ser confrontado pelo próprio autor do Manifesto Evangélico por um Processo Eleitoral Ético, por e-mail (o qual eu não publicarei, por ter sido enviado de maneira privada), vi-me na necessidade de responder-lhe. Assim o fiz. Abaixo segue a minha resposta.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Manifesto Revolucionário Evangélico

Começou a circular na internet um tal de Manifesto Evangélico por um Processo Eleitoral Ético, provavelmente gerado pelo sr. Ariovaldo Ramos (pois é dele a primeira assinatura), o qual conclama, principalmente, os evangélicos, a assinarem tal carta, a fim de manifestarem o seu repúdio aos caminhos que tem sido levado o processo eleitoral brasileiro.

quinta-feira, 14 de outubro de 2010

Jesus Cristo absorveu a Lei

Já comentei sobre Romanos 10.4, que diz que Jesus Cristo é o fim da lei. Quero apenas fazer um adendo àquele comentário, afinal, ainda percebo muita confusão em relação a isso.

Muitos judeus messiânicos, querendo argumentar em favor da manutenção normativa da Torá, acabam por interpretar esse termo, fim, não como um término, mas apenas como finalidade. Segundo eles, a palavra fim (τελος) pode significar término, como também finalidade, e eles optam pela segunda a fim de justificar a permanência da Torá.

O que eles não compreendem é que toda finalidade denota um término, quando seu objetivo é atingido. Por exemplo, a finalidade do alimento é alimentar e, ao cumprir essa função, está ele extinto. A finalidade da tesoura é cortar o cabelo, e quando este é cortado, ela é abandonada. Aí alguns vão dizer: mas quando o cabelo crescer ela será usada de novo. Porém, tal analogia não seria perfeita, porque  se, no caso, Cristo é a finalidade, não pode ser comparado analogicamente com algo que necessita ser feito outra vez. A obra de Cristo é eterna e feita uma vez apenas. Ele como finalidade da Lei torna esta desnecessária, pois seu objetivo fora cumprido e não será necessária mais uma vez para isso.

O problema é que sempre citam o outro texto, de Mateus 5.17, no qual Jesus diz que veio cumprir a Lei. Não atentam, porém, que o cumprimento da Lei é exatamente a sua finalidade, ou seja, sua satisfação. Aliás, esse é o sentido da palavra em grego (πληρῶσαι), que significa preenchimento, satisfação.

Também não observam que aquilo que é a finalidade não necessariamente abole o que passou, mas absorve. Jesus Cristo não, simplesmente, aboliu a Torá, mas a absorveu para si, sendo Ele o cumprimento dela. Com isso, também, fica compreensível a idéia de eternidade da Torá. Sim, ela é eterna, mas agora em Cristo, que a absorveu e a cumpriu. 

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

A sanidade da humildade

"Somente os humildes é que são completamente sãos, pois apenas eles é que vêem claramente o seu próprio tamanho e as suas limitações"

A. W. Tozer, no livro 'Este Mundo: lugar de lazer ou campo de batalha?'

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

O Desabrigado

"Pois quem quem quiser salvar a sua vida, a perderá, mas quem perder a vida por minha causa e pelo evangelho, a salvará" Mc 8.35

Na complexidade da vida, os caminhos mais perfeitos nem sempre são os mais seguros. Há uma boa dose de risco em se colocar sob a Verdade. No entanto, o perigo é apenas para a tua parte mortal, sendo que a outra parte, a imortal, encontra ali seu porto seguro.

terça-feira, 5 de outubro de 2010

As Ideias dos Náufragos

Compartilho um dos trechos mais profundos que já li em algum livro. Está no "Rebelião das Massas", de José Ortega e Gasset:

"O homem de mente clara é o que se liberta dessas ideias fantasmagóricas e olha de frente para a vida, e se conscientiza de que tudo nela é problemático, e sente-se perdido. Como isso é a verdade pura - ou seja, que viver é sentir-se perdido -, aquele que o aceita já começou a se encontrar, já começou a descobrir sua realidade autêntica, já está em terra firme. Instintivamente, como o náufrago, buscará algo a que se agarrar, e esse olhar trágico, peremptório, absolutamente verdadeiro porque se trata da salvação, o fará ordenar o caos de sua vida. Essas são as únicas ideias verdadeiras: as ideias dos náufragos. O resto é retórica, postura, farsa íntima".

Logo, comentarei esse trecho do livro.

sábado, 2 de outubro de 2010

Resposta de Marina apenas confirma Malafaia

Prometo que esta é a última sobre Marina Silva (isso está até parecendo obsessão).

O problema é que me incomoda ver cristãos, não votando nela, já que as opções não são tantas assim, mas a defendendo e a colocando como se ela fosse uma representante da cristandade brasileira.
Pois bem, se observarmos esta matéria que saiu no Portal IG, sobre os comentários da própria Marina sobre a mudança de voto do pastor Malafaia, podemos perceber o que ela realmente defende. Comento o que lá está publicado textualmente:

"As posições que eu assumi estão há mais de um ano sendo explicitadas"

Aqui, Marina não nega nada do que o Malafaia disse. Apenas coloca em dúvida as razões do pastor (o que a mim também me pareceu estranho). No entanto, o restante do texto diz tudo.

"Eu disse que casos de alta complexidade cultural, moral, social e espiritual como esses, deveriam ser debatido pela sociedade na forma de plebiscito"

Como boa relativista de esquerda, a candidata entende que mesmo questões ontológicas ou espirituais, como a vida humana, devem ser 'debatidas' e decididas pela sociedade. Aqui é mais uma prova que sua formação e ideologia são ainda muito superiores à sua fé. Para ela, a sociedade (no fundo o Estado) é a grande definidora das questões mais transcedentais. Isso é ou não é uma idolatria? Isso é cristianismo? Meu irmão, se você acredita que a sociedade tem autoridade para definir o valor da vida, ela terá autoridade para tudo, inclusive para fechar a sua igreja, inclusive para calar a sua boca. Desculpe-me, mas há coisas que a sociedade não tem competência (apesar de possuir um poder temporal) para decidir. Como cristã, Marina deveria, simplesmente, dizer que é contra o aborto, e ponto!

"A própria Marina disse que foi alvo desses boatos, que tentavam potencializar sua posições sobre temas polêmicos, tentando tachá-la de “conservadora” e “fundamentalista religiosa”.

Prestem atenção, e aqui há o descortinamento da verdadeira personalidade política de Marina Silva: ela não tem medo de ser vista como uma defensora do aborto, já que não levanta um sussurro sequer contra ele, mas treme diante do fato de ser tachada de fundamentalista religiosa e conservadora. Ser isto, para ela, é boato!!! Para mim, decididamente, seria um grande elogio!

Vocês estão procurando um representante cristão na presidência? Acho que acharam na pessoa errada.

sexta-feira, 1 de outubro de 2010

Uma previsão profética

Antes de 1920, H. A. Ironside, pastor e teólogo canadense, escreveu em seus estudos sobre o Livro de Daniel, em relação à revelação da estátua de pés de ferro e barro: "Naquele dia, o ferro do poder imperial estará misturado com a olaria frágil do socialismo e da democracia, mas esses elementos não se ligarão um ao outro".

Aquele dia é o dia em que a pedra, o Messias, cairá sobre o último reino gentio, o qual estará formado já no tempo do Anticristo.

E o que vemos ser preparado em todo o mundo ocidental? São exatamente governos socialistas que, a despeito de toda história de despotismo e tirania, reverberam palavras democráticas, como se fossem eles os verdadeiros defensores da liberdade.

Então, sabendo que a remoção total da democracia formal não é viável, acabam por criar Estados socialistas com aparência de democracia. São  tiranias (ferro) de fato, no entanto, com aparência frágil de democracia (barro).

Alguém duvida que Ironside estava certo?